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“Durante anos fui vigiado e vigiei Santa Luzia e Santa Rita, fixadas no alto das paredes da casa da minha avó Ermelinda. Troquei olhares com outras imagens nas igrejas e capelinhas e aos poucos passei a gostar dos santos, do seu colorido, da composição dos gestos e do olhar.

Vivi manhãs de diversão, correndo pelas ruas de terra do bairro, olhando alguns segundos em frente e outro minuto para trás, para saber se a capucheta já tinha altura. Cansado da brincadeira sentava a sombra de uma cerca de bambu e vigiava o céu olhando lindos maranhões que enfeitavam o azul infinito. Para as manhãs de indisposição, meus pais me levavam aos benzedores do bairro Serrote. Filas se formavam e todos eram atendidos, independente da classe social, não havia omissão. Para Nossa Senhora Aparecida, velas acesas e a confiança da sua proteção. Ouviam as nossas dores e com a voz baixinha nos benziam com suas rezas, com suas mãos, seus óleos, suas velas, rolhas, barbantes, galhinhos de arruda e alecrim. Fazia-se o bem sem olhar a quem. Foi nesse bairro que aprendi as primeiras lições de cidadania e respeito mútuo.

Sou Gérsio Pelegatti professor da História não aposentada.”

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