Abaixo o amianto!

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O Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão no mês de agosto que considero um avanço civilizatório: foi dado um passo adiante rumo a proibição total do amianto no Brasil. A medida, ainda insuficiente, merece ser amplamente comemorada e divulgada.

Depois de anos de batalha judicial, mobilização política e organização de conhecimento científico sobre o tema, finalmente foram consideradas constitucionais as leis de nove estados, incluindo São Paulo, que proíbem o uso e a comercialização deste agente cancerígeno.

Segundo a comunidade científica, incluindo a Organização Mundial de Saúde, não existem níveis seguros de uso do amianto e uma única fibra inalada pode ser suficiente para provocar doenças pulmonares, principalmente o câncer. Cerca de 100.000 mil pessoas morrem por ano em decorrência dessas moléstias.

No Brasil, milhares de casos são descobertos anualmente. O negócio movimenta bilhões, no mercado interno e externo. Internamente, ainda controla boa parte do mercado da construção civil, na comercialização de dezenas de produtos, especialmente caixas d’água e telhas onduladas.

O banimento do amianto deve ser encarado como uma missão de defesa da saúde pública. Não foi sem razão que 75 países baniram qualquer tipo de uso e os problemas causados pelo mineral, somados, foram considerados como a mais grave “catástrofe sanitária do século XX”.

Em tempos de debate sobre a reforma política é fundamental, por exemplo, saber que cerca de 150 congressistas tiveram campanhas financiadas com recursos vindos dessa cadeia produtiva, tão danosa quanto letal. Esse dinheiro, marcado pelo sofrimento humano, também financiou pesquisadores, médicos e cientistas que nos últimos anos ajudaram a acobertar este mal.

É verdade que a venda desses produtos traz recursos para o país e ajuda a equilibrar a balança comercial, já que o Brasil é um dos maiores exportadores da fibra cancerígena. No entanto, o custo disso é terrível, para milhares de famílias, para o meio ambiente e para o sistema público de saúde.

Neste sentido, é também uma tarefa política, conscientizar a sociedade sobre a gravidade da questão, que perdeu espaço nos noticiários para as séries de escândalos. Eis um problema que afeta a estrutura econômica do país. Indústrias de engenharia pesada estão sendo dizimadas, enquanto máquinas mortíferas permanecem incólumes.

Combater a corrupção é fundamental, tanto quanto defender a saúde pública. O amianto precisa ser banido nos demais 19 estados. Em São Paulo é preciso muita fiscalização, pois continua a circular. Abaixo o amianto!

Rodrigo Paixão é Cientista Político, Especialista em Gestão Pública, Vereador, Professor. Trabalha também com assessoria e consultoria e atua como comentarista político de Rádios e TVs.
https://www.facebook.com/rodrigopaixao/

 

 




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