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Conforme anunciado pelo Pé de Figo no início da última semana, o prefeito Orestes Previtale vai mesmo se filiar no PSB – Partido Socialista Brasileiro
Em entrevista ao jornal Correio Popular de Campinas publicada neste sábado (10), o prefeito Orestes Previtale (MDB) confirma informação que o Pé de Figo divulgou na quarta-feira (7) de que o encontro promovido pelo deputado federal Luiz Lauro (PSB) com o vice-governador Márcio França (PSB) serviu mesmo para selar a ida do prefeito para as fileiras do Partido Socialista Brasileiro.
Na entrevista, Orestes anuncia o envio para a Câmara dos Vereadores o projeto da reestruturação administrativa com o corte de 100 cargos comissionados, reafirma o racha no MDB local e comenta, sem dar mais detalhes, as exonerações do presidente do Valiprev e da Secretária da Cultura.
Confira abaixo a íntegra da entrevista do Prefeito Orestes Previtale concedida ao jornal Correio Popular:
Correio Popular: Por que o senhor está deixando o MDB?

Orestes Previtale: Eu não posso permanecer em um partido pelo qual eu e quatro vereadores fomos eleitos e tivemos o presidente do partido trabalhando contra durante todo o período da eleição e a favor dos adversários. E não posso continuar no partido, onde o mesmo indivíduo me convida a sair sob pena de me expulsar.

CP: Ele pediu para o senhor deixar o partido?

OP: Sim, há umas três semanas. Não tem como continuar. Isso é uma conduta insultuosa, no mínimo, tratar o prefeito dessa forma. E por que só agora? Será que é porque se aproxima o próximo pleito eleitoral e haverá investimento político na cidade para fomentar a eleição e alguém queira ser coordenador de campanha da eleição?

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CP: Então, sua decisão está tomada? O senhor vai para o PSB?

OP: Sim. Tenho só que ter uma conversa com os vereadores da base do MDB, porque fomos eleitos juntos. O convite foi feito pelo PSB, o partido do Jonas Donizette, do Luiz Lauro, Márcio França. Recebi convite de vários partidos. Eu estou pensando na questão política da cidade. O Márcio França (vice-governador), em menos de um mês, será governador do Estado por, pelo menos, oito meses. Hoje, qual a possibilidade que a gente tem de aproximação com o governo do Estado? Até agora foi pequena. O governador é do PSDB, partido que localmente ainda é oposição. O Márcio vira governador e se eu estiver em um partido simpático a ele, automaticamente a porta se abre para a cidade. Dia 22, data a ser confirmada com França, faço a filiação.

CP: O senhor está encaminhando uma reestruturação administrativa também. Em que base ela se dará?

OP: Ela tem duas vertentes: funcionários comissionados e efetivos. Estamos mexendo nas duas, mas com ênfase nos comissionados, por causa do prazo que temos para cumprir a sentença judicial de exoneração dos comissionados. Alguns cargos efetivos, que nem existem mais, serão extintos, porque nem cabem mais na estrutura, como padeiro, copeiro, costureira.
CP: Quantos cargos comissionados serão cortados?

OP: A sentença não faz menção a número de cargos, mas sim a atribuição de cargos. Na estrutura definida em 2008 não existe uma atribuição que contemple o ditame constitucional. Estamos cortando 100 cargos de comissão de um total de 320 existentes. A ideia é enviar a proposta de reestruturação para a Câmara na terça-feira. Isso vai gerar economia. Alguns cargos terão redução salarial e trará economia.

CP: Este ano o senhor fez duas exonerações — o presidente da Valiprev (o instituto de previdência dos servidores) e a secretária de Cultura. São casos isolados ou parte de mudança no secretariado?

OP: Secretário é sempre um cargo de confiança do prefeito. A hora em que o prefeito deixou de ter confiança, o prefeito troca. Quando você tem uma situação instalada e que está ainda sendo investigada, como é o caso da suspeita de fraude no concurso da Valiprev, e temos o Ministério Público investigando e se tem uma quebra de confiança, não dá para continuar sendo secretário do prefeito. Na Cultura não houve motivo semelhante a esse, foi diferente, mas não havia possibilidade da secretária continuar ali.

CP: As exonerações param por aí? Haverá mais troca de secretários?

OP: Eu diria que essa é a primeira etapa. Outras exonerações poderão acontecer. E isso é natural. É cargo de confiança. Deixou de confiar, troca. Não é só secretário, mas cargos de confiança em geral. Essa é uma oportunidade de as pessoas mostrarem seu valor, seu trabalho. Procuro ser cauteloso, ir com calma. Para ter uma ideia na situação do Valiprev: o presidente foi conduzido ao cargo em novembro de 2016, nomeado pelo ex-prefeito e ficou comigo até agora, fez um trabalho interessante, mas por alguns motivos deixou de gozar da minha confiança.

CP: O senhor vem abrindo sindicâncias para investigar atos de ex-prefeitos. Está encontrando irregularidades?

OP: Na semana passada abri mais três sindicâncias. Uma é de um cheque sem fundos de 2016, outra é dinheiro da Contribuição de Iluminação Urbana (CIP), que foi usado para finalidades não previstas na lei, outra é de dinheiro do SUS que foi usado para pagar o Inase (Instituto Nacional de Assistência à Saúde e à Educação), que tinha convênio com a Prefeitura). E tem outra sendo aberta por conta da utilização de dinheiro do Fundo do Meio Ambiente para pagar folha de pagamento, limpeza pública. As sindicâncias averiguarão as situações, sem fazer juízo antecipado da situação. Temos também sindicância apurando o recebimento definitivo da obra de uma escola na Serra dos Cocais em 2016, pelo secretário de Obras da época, e que veio a ser depois o presidente do Valiprev. Qualquer um que passe por ali vê que não tem uma escola pronta. Temos também a sindicância do concurso do Valiprev que foi instalada para averiguar acusação de fraude e devemos ter mais algumas em relação à administração anterior.

CP: O senhor está fazendo uma força-tarefa em cima de atos da administração anterior?

OP: Nós não estamos buscando, mas a situação acontece, são denunciadas e mando investigar se procedem. Temos muitas situações. Uma delas é em relação aos valores de contrapartidas dadas à Prefeitura por empreendimentos, mas que não achamos o dinheiro, os acordos, os termos de ajustamento de conduta, os comprovantes.

CP: O que o senhor pretende fazer com o resultado dessas sindicâncias?

OP: É dever de ofício investigar quando recebe denúncia e encaminhar para autoridade policial, ao Ministério Público, para que faça o que deve ser feito.

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