As primeiras lições da ocupação do MST em Valinhos

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Foto: Fabiana Ribeiro

A instalação da Ocupação Marielle Vive realizada no último sábado (14), pelo Movimento dos Sem Terra – MST em Valinhos, longe de ser apenas uma oportunidade para assistirmos a um tresloucado desfile de manifestações de ódio e desconhecimento do assunto é, também, uma chance de aprendizado e reflexão.

Enumeremos alguns dos ensinamentos deste momento histórico:

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Poucas pessoas se lembraram da existência do Bairro Reforma Agrária em Valinhos, uma experiência concreta de reforma agrária realizada no início da década de 1960, a partir da Lei de Revisão Agrária introduzida pelo Governo do Estado de São Paulo, sob a coordenação de Plínio Arruda Sampaio, nomeado pelo Governador Carvalho Pinto. Uma fazenda decadente da lavoura do café foi desapropriada e repartida em 72 lotes que hoje garantem, em grande parte, a realidade de que vivemos num município com fortes características agrícolas.

Diante do movimento de ocupação, algumas pessoas se apressaram em alardear que o local corre o risco de virar uma grande favela, o que reflete um elevado grau de preconceito e o desconhecimento de que o MST tem por objetivo conquistar terras para assentamento de trabalhadores rurais, a fim de plantar e colher alimentos. Não é atoa que o MST é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina.

Outros lembraram do direito constitucional à propriedade, afirmação verdadeira, porém, sem atentar para um outro princípio da Constituição Federal que é o da função social da propriedade, inclusive com menção expressa de que as áreas rurais improdutivas devem ser objeto de reforma agrária.

A Serra dos Cocais, onde se situa a área ocupada pelo MST, é responsável pelo fornecimento de 45% da água consumida em Valinhos e o avanço dos empreendimentos imobiliários na região significa uma ameaça permanente aos mananciais, além de potencializar a degradação do meio ambiente e aumentar os problemas de trânsito e enchentes, conforme estudos realizados sobre o impacto do Loteamento da Fonte Sônia, por exemplo.

Foto: João Evaristo Bérgamo

O Prefeito Orestes Previtale (PSB) incorreu num erro desnecessário ao precipitar-se em socorrer os interesses dos proprietários, como se deles fosse um procurador, e, num vídeo  gravado no local e divulgado pelas redes sociais, afirmar que já teria mantido contato com os donos da fazenda abandonada e encaminhado as devidas providências. Com isso, reforça o sentimento generalizado de que este governo, como os anteriores, é uma garantia de atendimento ao insaciável desejo de lucro dos empreendedores imobiliários, relegando os interesses de toda a cidade a um segundo plano e, pior, sem que a sociedade participe da discussão sobre quais as implicações que tudo isso tem sobre o futuro de cada um dos seus habitantes.

Enquanto escorre a baba gosmenta do ódio nas redes sociais, as questões fundamentais vão muito além da insana disputa de ideologias e colocam em risco igualmente a sobrevivência tanto dos que são de esquerda, quanto dos de direita.

 

8 Comentários

  1. Reforma agrária é feita com dinheiro dos impostos que pagamos. Vc acha justo ter que comprar/pagar sua casa e outras pessoas ganharem de “mão beijada”? Vcs acham justo acolher tantas pessoas de outras cidades numa cidade que nem saúde tem direito? Com isso, a situação da geral da cidade vai piorar, correto? O que essas pessoas que invadem a terra dos outros ganham? Acredito que seja Hilux, Corolla e outros carros novos que, por lá parece até um estacionamento da elite. De pobre? Meia dúzia de vagabundos… o restante, um bando de espertos querendo continuar mamando nas tetas do Governo pois, nem sabem onde são as tetas da vaca de tanto que conhecem o campo….

  2. Temos no Brasil um “câncer” chamado “politica” que vem comendo nossa sociedade, matando nossas esperanças e enchendo de revolta as pessoas de bem deste País. Esse “câncer” promete milagres, promete prosperidade, promete justiça, promete igualdade, mas tudo que vemos é corrupção, é roubo, é enganação, é manobra e vagabundos e ratos sugando nossa dignidade…. ;Essas invasões feitas por anseios políticos, recheados da mais pura ignorância do povo pobre e da vagabundice de meia duzia de espertos carniceiros e imbecis que desejam transformar nossa Valinhos num Oziel, num Monte Cristo, numa Rocinha, numa….. Todos vocês estão na extrema-unsão do seu espirito brasileiro, já estão a caminho do fim pois o povo apensar de tudo sabe que vocês já eram…. Sai oportunista, sai vagabundo…. Trabalhar é bom, ser honesto é dever de todos.

  3. Isso pra mim é uma vergonha, ao invés de lutarem para ter trabalho com salário digno, impostos baixos e inflação baixa, ficam ai se movimentando como animais invadindo propriedade particulares, se instalando e usam o critério de não estão usando… tem quem usa. e se ano que vem eu for usar? ou mês que vem quem decide é o proprietário, afinal foi ele ou os familiares falecidos que trabalharam e se movimentaram pra que isso os pertence-se agora, ninguém precisou sair invadindo e dando desculpas por apoiar um governo que vende a ideia de igualdade social na miséria com impostos e inflação la no teto, agora essa putaria vai continuar acontecendo porque a ignorância de vocês estão estampadas na testa, com salário digno qualquer um consegue sair do baixo, agora onde todo mundo prega a igualdade e não tem a competição malvadona de mercado onde todo mundo quer pisar em cima do outro como dizem, favorecem a vocês consumidores parem e reflitam!

  4. A burguesia Valinhense morre de ódio quando o podre toma frente.
    LINDA AÇÃO DO MST, VIVAS E GLÓRIAS A ELES!!!!!!
    Parabéns pelo texto.

  5. Política da safadeza, não tem nada abandonado na região, até porque está sendo usado pra criação de gados, quem vive na região pode confirmar, abandonado será esse povo depois que os interesses dos envolvidos estiver sanado. Demarquem, vão lá e criem expectativas, depois irá vir alguém tomar de vocês, naquele velho e bom círculo vicioso de venda de lotes…

  6. A luta pela Reforma Agrária é legítima pra desenvolver a agricultura familiar na producao de alimentos orgânicos.
    É uma luta legítima no sentido da terra cumprir sua função social contra a terra improdutiva que ficam nas mãos da especulação imobiliária.

  7. Se justiça existisse, poder-se-ia dizer que nada está sendo feito fora da lei, pois o INCRA já determinou que a área é improdutiva. E, de fato, ela está abandonada. Os especuladores de terra de Valinhos apenas aguardam uma pequena brecha para poder avançar com sua ganância insaciável. Quem tem um natural preconceito contra o MST, deve neste caso ir até o local e verificar com seus próprios olhos o que está sendo feito lá. Eles não mordem.

    Perguntemos a nós mesmos – com sinceridade: o que é melhor? Uma reforma agrária nos moldes que já temos lá no Macuco ou o avanço desses condomínios (opticamente são horríveis, parecem mais uma favela com material mais caro…) ou dessas vilas (um CDHU de riquinho…)? E não cabe a comparação com o Oziel de Campinas, pois lá foi uma invasão sem caráter agrário, sem qualquer tipo de planejamento e orientação do INCRA.
    Percebam que no caso das “vilas”, os especuladores conseguiram sua aprovação em locais onde o zoneamento prevê lotes bem maiores com a alegação de “função social”. Mas como pode, essas casas terem função social, se custam 700.000,00 reais!!???
    Coisas dos coronés que se apossaram de Valinhos…
    A construção de condomínios está se transformando em um real tumor para Valinhos. Com o intuito de aproveitar todo e qualquer m², os incorporadores impermeabilizam todas as encostas e provocam mais inundação na cidade.
    Pensem nisso, mais uma vez, o que é melhor?

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