Motoristas e comerciantes questionam a intolerância dos fiscais na aplicação de multas

Próximo de completar cinco meses de instalação, os parquímetros ainda não se encontram em plena aceitação entre os que se dispõe a estacionar o carro no centro de Valinhos. O atual serviço de cobrança de estacionamento, de responsabilidade da empresa Autoparque, tem sido alvo de constantes críticas tanto por parte de comerciantes, como de quem estaciona o carro em uma área de zona azul.

Uma das principais queixas ouvidas dos motoristas foi o risco de sofrer uma multa entre o momento que estacionam o carro e o tempo que levam para conseguir as moedas para depositar nas máquinas.

“Uma vez sai para tentar trocar por moedas, mas fui multada em R$ 195,00 e cinco pontos na carteira. Não há mais tolerância dos fiscais em esperar. Alguns centavos podem se tornar quase duzentos reais e cinco pontos na carteira. Isso já aconteceu duas vezes”, lamenta Carolina Macedo.

Dentro ainda deste questionamento, a dona de casa Cleide Pupo também concorda que a tolerância dos fiscais na espera para as pessoas adquirirem o dinheiro necessário tem se tornado mais curto: “a multa é imediata. Não há mais a tolerância de 15 minutos como antes”, afirma Cleide.

Questionado, um dos fiscais de trânsito que não quis se identificar confirma que a multa aplicada seja de R$ 195,00, de cinco pontos e que, por ser grave, não cabe apenas advertências. Quando perguntado sobre o curto tempo que as pessoas têm para conseguir trocar as moedas no comércio, o mesmo fiscal aconselha que as pessoas comprem o cartão recarregável ou que peçam para trocar com o funcionário da Autoparque.

Para estacionar em uma zona azul, hoje os motoristas têm como alternativas de pagamento a utilização de moedas, cartão magnético recarregável ou o uso do cartão de crédito por meio do aplicativo para smartphones “Digipare”.

No caso das moedas, há uma variação de preço de acordo com o tempo estacionado, sendo uma hora o equivalente a R$ 1,60; uma hora e meia a R$ 2,40; e duas horas o valor de R$ 3,20. As máquinas não devolvem o troco, caso a quantia depositada seja maior que a cobrada. Os cartões recarregáveis podem ser adquiridos em alguns pontos da cidade ou com os fiscais da Autoparque, que ficam distribuídos entre as oito diferentes áreas de zona azul. O valor do cartão é de R$ 20,00 e é recarregável.

Alteração na aplicação da multa                                           

De acordo com um dos fiscais da Autoparque que preferiu não se identificar, houve uma alteração na semana passada na forma da aplicação de multa. Antes, o motorista que parasse o carro em uma zona azul e não pagasse pelo estacionamento sofreria uma notificação que cobrava R$ 16,00 pela irregularidade. Caso esta notificação não fosse paga no período de 24 horas, passaria a ser cobrada, então, a multa no valor R$ 195,00. Agora, a multa grave é aplicada na hora.

De acordo com o secretário de transportes e trânsito, Mauro Haddad, a atual administração decidiu pelo fim da cobrança dos R$ 16,00 por entender que não é correta. “A tolerância é o tempo necessário que a pessoa tem para sair do seu carro e fazer o pagamento da tarifa. A multa é grave e isso é uma determinação do Contran (Conselho Nacional de Trânsito)”, afirmou o Secretário.

O funcionário da Autoparque, responsável por notificar o fiscal de trânsito quando há alguma infração, respondeu as perguntas com exceção a do próprio nome. Segundo ele, ele opta por não se identificar por conta de constantes ameaças que sofre diariamente nas ruas.

Comerciantes também criticam

Os questionamentos, entretanto, não se reduzem somente aos motoristas. Comerciantes também citam dificuldades ao perceberem que, por conta do aumento das taxas (antes o preço de revenda era R$ 1,00 a hora), as pessoas deixaram de estacionar os carros no centro, local de concentração dos estabelecimentos comerciais. “Eu percebi que depois que colocou o parquímetro parou o comércio. Antes estava lotado de carros. Agora, poucas pessoas estacionam aqui”, afirma um dos comerciantes que também pediu sigilo.

Um dos argumentos para a instalação dos parquímetros é justamente a tentativa de promover a rotatividade no local, uma vez que na antiga forma de cobrança, quando a fiscalização era menor, muitos carros permaneciam estacionados horas além do permitido.

Atualmente, os oito setores onde funcionam os parquímetros são: Av. dos Esportes; região da R. Sete de Setembro; região do Auditório Municipal; região do coreto; na av. 11 de agosto, próximo do Supermercado Caetano; na Prefeitura e no Shopping.

 

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