Comissionados, a função que virou palavrão

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Nomeações apenas por questões políticas desmoralizam o serviço público

Toda generalização comete injustiças, e é evidente que há servidores na Prefeitura de Valinhos nomeados para exercerem cargos de confiança, os chamados comissionados, que desempenham suas funções com eficiência, responsabilidade e espírito público.

No entanto, o exagero na quantidade de nomeações, sobretudo num momento de grave crise financeira, inevitavelmente provoca reações de indignação junto à população.

Por mais que os cidadãos estejam desligados dos acontecimentos políticos locais, é difícil deixar de questionar e assimilar a contradição da gestão pública municipal que, de um lado justifica cortes em direitos e serviços por falta de verbas e, de outro lado,  promove um desfile semanal no Boletim Municipal com a  publicação das nomeações de comissionados por questões escancaradamente políticas.

Os acordos políticos fazem parte do sistema democrático e é salutar que as lideranças se componham com o objetivo de aperfeiçoar a prestação de serviços ao público. E este deveria ser o princípio predominante.

Por isso, na última semana, a notícia da nomeação feita pelo Prefeito Orestes Previtale (PMDB) do novo Diretor de Manutenção de Vias Públicas, André dos Reis (Rede), teve grande repercussão negativa entre os valinhenses.

O novo comissionado, que é jornalista, foi Chefe de Gabinete do ex-Prefeito Clayton Machado (PSDB) e, no mesmo governo, passou pela Secretaria da Cultura e Turismo. Após a mudança de administração, usou acintosamente o seu jornal, Folha de Valinhos, para atacar, inclusive com inverdades, o atual prefeito Orestes e seus aliados, acusando ainda este Portal Pé de Figo de abrandar nas críticas ao governo por supostas (mas nunca provadas) vantagens na administração.

Fica assim evidente que não existia nenhuma afinidade política entre os lados que justificasse a nomeação do jornalista para um cargo fora de sua área, e com salário tão atrativo.

Diante desta e de tantas outras, se agiganta a necessidade de a sociedade se mobilizar e definir, talvez numa Constituinte Municipal, o tamanho da administração que a cidade quer, e reavaliar o custo benefício das estruturas dos poderes executivo e legislativo.

Quem sabe assim, “comissionado” deixe de ser um palavrão para significar prestação de serviços.

 

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