Ao longo das últimas semanas, o Pé de Figo tem trazido uma série de textos que compõem o livro Crônicas da Resistência: em tempos de desconfiguração da Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, publicada pela Associação Brasileira de Saúde Mental – Abrasme, com o apoio da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil – Unisol Brasil.

Nesta edição, trazemos o texto “Alegria para Resistir”, escrito por Leonardo Pinho logo após o Ato na Câmara dos Deputados pelos 30 Anos da Luta Antimanicomial e da Reunião com a Procuradoria Federal do Direito do Cidadão e a Defensoria Pública da União, que, juntamente a uma diversidade de organizações e movimentos do campo da saúde mental e das políticas de drogas apresentou os retrocessos na Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas.

Alegria para Resistir

Leonardo Pinho. 18 e 19 de dezembro de 2017

“Nesta vida, pode-se aprender três coisas de uma criança: estar sempre alegre, nunca ficar inativo e chorar com força por tudo o que se quer” – Paulo Leminski

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A Câmara dos Deputados, no dia 18 de dezembro de 2017, foi tomada por uma alegria contagiante de usuários, trabalhadores, familiares, estudantes e ativistas de direitos humanos que celebraram os mais de 30 anos da Luta Antimanicomial.

Essa homenagem dos 30 anos da Luta Antimanicomial teve um duplo caráter: celebrar os avanços e mobilizar contra os retrocessos.

A construção de uma rede substitutiva que atinge hoje todo o território nacional, a inversão de recursos que antes ia para um modelo asilar e hoje é voltado para o cuidado de base comunitária e em liberdade foram celebrados.

O ponto auge foi a entrada do Coletivo Bauru, que com sua bateria animou a todos e todas sobre a música um Grito de Liberdade, e as formalidades impostas pela dinâmica espacial do Plenário Ulisses Guimarães foi substituída pela Ciranda. Todos e todas de mãos dadas em ciranda celebraram a unidade na pluralidade do campo da saúde mental e da luta antimanicomial.

As falas da mesa, da Deputada Erika Kokay, do Deputado Raimundo Angelim e de diversos depoimentos mostraram a indignação pelos retrocessos na Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas.  Um decreto legislativo está sendo construído para sustar os efeitos da reunião da CIT.

Mas, contra a frieza das reuniões de gestores, do silenciamento imposto pelo Ministro da Saúde, a resposta esta vindo com a mobilização permanente por todo o país e com a alegria, que afeta, que nos tira do lugar e energiza as potências criativas de nosso campo.

No dia seguinte, dia 19 de dezembro de 2017, as diversas entidades e movimentos do campo da saúde mental, da redução de danos e da Luta Antimanicomial, o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) estiveram em diálogo com a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão – Ministério Público Federal (PFDC/MPF), com a Dra. Deborah Duprat e Dr. Francisco Nóbrega da Defensoria Pública da União (DPU), para demonstrar nossa indignação diante dos encaminhamentos sem participação popular que o Ministério da Saúde quer impor no calar do fim do ano.

A reunião demonstrou que nossa pluralidade e nossa alegria para defender uma política publica de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas será fundamental para reverter esses retrocessos em 2018.

Saio desses dois dias convicto de que é com a Alegria e Tenacidade que vamos derrotar os que querem impor ao país uma agenda que busca silenciar e promover mais sofrimento aos usuários de saúde mental, álcool e outras drogas.

Leonardo Pinho é Diretor da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME), Presidente da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários – UNISOL Brasil, conselheiro do Conselho Nacional de Direitos humanos (CNDH) e do Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES).

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