Jéssica Mendes a Vencedora da Batalha W.L 14 Edição 

Meu nome é Jéssica Mendes, tenho 20 anos, sou de Salto e batalho há 3 meses, escrevo desde sempre e a forma que eu mais uso pra me expressar é através de poesias.  Faço parte do coletivo Família Pátria Nossah, que realiza a batalha do Sarau Pátria Nossah em Salto e também a Batalha da Pista em Itu, dentre outros eventos como palestras.

O que você acha sobre o espaço feminino na cena atual?

É um espaço um tanto quanto hostil, reflexo da nossa sociedade onde a mulher é constantemente diminuída, objetificada e oprimida. Eu pessoalmente tenho sorte, porque fui abraçada quando coloquei minha cara à tapa no movimento e principalmente nas batalhas de Mc’s.

Qual a importância da manifestação feminina?

A manifestação da mulher é  pra isso continuar. Eu mesma me policio muito com o que falo, porque me extremamente importante,  pra que a gente consiga alcançar um nível de igualdade precisamos ser ouvidas e falar por nós mesmas.

Ainda existe preconceito contra as mulheres? 

Sim e isso é inegável, tanto dentro do movimento hip hop quanto em toda sociedade. Embora o movimento lute por igualdade, ainda existe preconceito por parte de muitos Mc’s de batalha, tanto quanto do público, que muitas vezes compram algumas ideias erradas e acaba indo na onda. É algo muito complicado, porque o machismo, racismo, homofobia e etc estão impregnados e enraizados na nossa sociedade e a desconstrução desses preconceitos é difícil, é uma luta diária. Muitos acabam agindo de forma hostil, sem perceber que estão contribuindo vejo em desconstrução, mas sei que é um processo longo, que é difícil de se por em prática. Reflexo disso é que em 5 cidades diferentes que eu batalhei, eu nunca tinha visto nenhuma menina batalhando também, e grande parte do público é formado por homens. Em Valinhos pela primeira vez eu pude ver uma menina além de mim batalhando,  e independente do resultado, isso me preencheu e dá força pra continuar.

Você já sofreu ou conhece quem sofre com isso?

Sem dúvidas. Tanto dentro como fora da roda,e em muitas outras coisas que eu quis fazer e eram julgadas como “coisa de homem”. Muitas vezes os meus adversários não me atacaram como Mc, mas me atacaram por eu ser mulher, com coisas como “vai lavar a louça” ou “ariar suas panelas”, e coisas que nem vale a pena expor. Eu tento lidar bem com isso e dou risada, as vezes cobro um ou outro mas no geral sei que eles não fazem isso com a intenção de que eu volte chorando pra casa e triste por ser mulher, e sim porque vivemos numa sociedade em que o “tinha que ser mulher” ainda é muito forte.

O que espera conquistar com o movimento? 

Eu espero fazer a diferença, seja através das batalhas, através das poesias, ou como for. Espero tocar as pessoas,  e ajudar o movimento a perder essa “fama” de marginalizado. O hip hop é lindo e eu só tenho conquistado coisas maravilhosas através do movimento.  A resistência e a luta são extremamente importantes,  e fazer parte disso me alimenta cada dia mais. O que de fato eu espero é conquistar meu espaço, poder encorajar outras pessoas a colocarem a cara a tapa também, e que o interior cresça cada vez mais e mostre seu valor, por tem muita gente genial aqui acreditando que é só mais um, e o que eu quero é que todos esses gênios sejam reconhecidos.

Gostaria de agradecer o espaço e a oportunidade de mostrar um pouquinho do que eu penso, acredito e vivo, agradecer a Família Pátria Nossah que é o coletivo do qual eu faço parte e que me acolheu de braços abertos. Agradecer também todos Mc’s e amigos que me apoiam, incentivam e me ensinam cada dia mais. Obrigada à todos envolvidos na organização da Roda Cultural da W.L. que me receberam super bem, o evento é lindo e eu quero voltar mais vezes.




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