Foi publicada hoje (07/04) Resolução com as regras do novo espaço da cultura

A partir deste domingo (09/04),  quando acontece mais um concerto da Orquestra Filarmônica de Valinhos, as atividades da Secretaria da Cultura e Turismo de Valinhos que antes aconteciam no Auditório Municipal, passarão a acontecer no Teatro Multiuso da Câmara Municipal de Valinhos. A mudança foi justificada pela economia gerada com a devolução do prédio do Auditório, que era alugado pela prefeitura para ser o único espaço fechado para apresentações artísticas da cidade.

O Auditório Municipal de Valinhos era localizado no centro da cidade, no espaço que já recebeu o famoso Cine Saturno, e também igrejas evangélicas. O prédio pertence à família Spadaccia, e era utilizado como Auditório desde novembro de 2008, alugado pelo valor de aproximadamente R$ 17 mil mensais. As más condições das instalações e a falta de manutenção, no entanto, eram recorrentes motivos de reclamação dos usuários do local.

Já o atual prédio da Câmara Municipal de Valinhos foi inaugurado em dezembro 2012, e o projeto previu a existência de dois plenários: o menor, para as sessões ordinárias do legislativo municipal, e o chamado Teatro Multiuso, pensado para ser utilizado em sessões especiais, ou para atividades artísticas e culturais. Sua utilização, no entanto, estava bem abaixo da expectativa.

A cessão de uso

As más condições do Auditório Municipal, bem como a despesa que este gerava, aliadas à disponibilidade do Teatro Multiuso, pouco utilizado apesar da confortável estrutura e equipamentos de ponta, fez com que Câmara e Prefeitura, comandadas por aliados políticos, negociassem uma parceria para a cessão de uso do Teatro para a realização dos espetáculos que aconteciam no Auditório, que poderia então ter seu contrato de aluguel rompido, e o prédio devolvido aos proprietários.

A cessão de uso do Teatro Multiuso da Câmara foi autorizada com a aprovação em plenário da Resolução nº 2/2017, de autoria da Mesa Diretora do Legislativo, na sessão do dia 07 de março de 2017, mas o Decreto nº 9.486/17, estipulando as regras para a utilização do espaço pela Secretaria da Cultura e Turismo foi publicado apenas hoje (07/04), e prevê que o Teatro será de uso preferencial para eventos artísticos e culturais, e estipula uma série de regras a serem seguidas pelos interessados em organizarem atividades no local.

Pontos fortes e pontos fracos

Ao assumir a Secretaria da Cultura e Turismo no início do atual mandato, a secretária Ângela Giardelli denunciou o descaso e a falta de cuidado com os prédios da Secretaria por parte da gestão anterior. Segundo Ângela, o auditório possuía diversos problemas, como a falta de alvará dos bombeiros, falta de bebedouros, e problemas de acessibilidade. Desta forma, a mudança de prédio era considerada urgente, tanto por questão de segurança, quanto pelo aspecto econômico, já que a economia de mais de R$ 200 mil ao ano vai ao encontro dos anseios da população

Mas para os produtores e para o público, o que melhora, e o que piora?

Fizemos uma lista com os principais aspectos a serem levados em consideração para responder à pergunta acima, e apontando como era no Auditório Municipal, e como será, no Teatro da Câmara:

– Camarins

Como era: possuía um grande espaço de circulação da equipe, com entrada separada da entrada do público, acesso ao palco pelas coxias, banheiros e bebedouros próprios para a equipe do espetáculo, e alguns camarins isolados.

Como será: dois camarins pequenos, um em cada lado do palco, sendo que apenas um deles tem um pequeno banheiro. O acesso se dá através da mesma entrada do público. Não há bebedouro.

No próximo domingo, a Orquestra Filarmônica de Valinhos faz concerto no Teatro da Câmara Municiipal

– Palco

Como era: palco de tamanho médio e com pouca profundidade, tinha cortina na boca do palco, e sistema de iluminação de palco completo, porém terceirizado. A sonorização não possuía equipamentos profissionais específicos para cada tipo de espetáculo.

Como será: Palco mais estreito, porém mais profundo. Não possui cortina de boca, apesar de ter duas cortinas no meio do palco, o que permite “diminuí-lo”, adaptando, se necessário ao espetáculo. O sistema de iluminação e sonorização é do próprio Legislativo, montado para a realização de transmissão pela TV Câmara. Precisa ainda de adaptação para poder atender a todos os espetáculos.

– Capacidade

Como era: o Auditório Municipal tinha capacidade para 470 pessoas.

Como será: segundo o Decreto nº 9.486/17, a capacidade do Teatro Multiuso é de 316 pessoas.

– Conforto do público

Como era: Existia um pequeno saguão na entrada, com bancos onde o público podia aguardar antes de entrar no Auditório, porém não acomodava um grande público, que às vezes se amontoava do lado de fora do prédio. As cadeiras eram velhas, e careciam de manutenção, sendo que algumas já estavam quebradas. Não existia bebedouro para o público, e os banheiros eram pequenos para a capacidade do local. O sistema de ar condicionado era formado por grandes splits que ficavam dentro do Auditório, que quando ligados faziam barulho, e, por falta de manutenção, alguns pingavam água nos corredores.

Como será: o hall de entrada do Teatro ficou de fora da cessão de uso, portanto não poderá ser utilizado pelos espetáculos. O acesso ao Teatro se dará pela entrada lateral, e não haverá local para acomodar o público antes deste acessar a plateia. Também não haverá local próprio para bilheteria, que deverá ser improvisada, se necessário, na rampa. Existe apenas um bebedouro disponível para o público, e banheiros mais adequados. Possui sistema de ar condicionado central, o que evita barulhos, e permite maior controle da temperatura interna.

– Acessibilidade

Como era: o acesso do público à plateia se dava por escada, sendo que cadeirantes precisavam acessá-la através da entrada de serviço. Também não havia local específico na plateia para os cadeirantes, que costumavam ficar nos corredores. O acesso aos banheiros também se dava por escadas, o que impedia sua utilização por portadores de necessidades especiais. Não existia qualquer tipo de sinalização tátil para deficientes visuais.

Como será: o acesso do público ao Teatro se dará por rampa, e existem banheiros com acessibilidade para cadeirantes. A plateia possui lugares reservados para cadeirantes, bem como assentos especiais para obesos. Não existe sinalização tátil para deficientes visuais.

– Localização

Como era: localizado bem no centro da cidade, o Auditório era de fácil acesso para quem utiliza transporte público, porém a dificuldade de estacionar em seu entorno era uma reclamação recorrente. Existiam, no entanto, alguns estacionamentos próximos que ficavam abertos em algumas ocasiões. Serviços como padarias e lojas próximas também eram um diferencial.

Como será: longe do centro da cidade, o acesso para quem utiliza transporte público será bem mais complicado. De carro, no entanto, o acesso é fácil. A falta de vagas de estacionamento no entorno deverá continuar sendo um problema.

– Visual

Como era: a fachada do prédio já estava bastante deteriorada, e a faixa que identificava o espaço como Auditório Municipal já não existia há alguns anos. Como o prédio era alugado, não houve investimento da prefeitura para a realização de uma reforma que desse uma identificação próprio ao local. Pessoas que passavam em frente, não sabiam que ali aconteciam espetáculos artísticos.

Como será: com uma fachada nova e moderna, o prédio pode ser considerado bonito, mas o grande logo da Câmara Municipal também irá dificultar no reconhecimento do espaço como casa de espetáculos.

1 Comentário

  1. Grande espaço de circulação de pessoas no camarim? É mentira, já dancei várias vezes no auditório municipal e era péssimo, pouco espaço, poucos banheiros, poucos espelhos, não tinha onde se trocar nem onde se maquiar. Era tudo horrivel. Valinhos precisa mesmo de um teatro, essa é a verdade por que todos os outros espaços não são adequados para apresentações de dança, por exemplo.

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