Mesário nas eleições do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Valinhos afirma que houve violação de urna com troca de cédulas que davam ampla maioria de votos para a chapa da oposição.

A equipe do portal de notícias Pé de Figo recebeu, na manhã do último domingo (23), uma denúncia sobre suposta manipulação de resultado em processo eleitoral que elegeu, em setembro de 2015, a atual diretoria do Sindicato dos Servidores Municipais de Valinhos, Louveira e Morumgaba.

A denúncia foi feita por um dos mesários que testemunhou a troca de cédulas de uma das urnas, momentos antes da contagem dos votos.

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Na ocasião, duas chapas estavam disputando o pleito: a Chapa 1, da situação, e a chapa 2, da oposição. De acordo com o denunciante, que prefere não ter a sua identidade revelada por enquanto, a Chapa 2 foi vítima de uma fraude promovida por fiscais da Chapa 1. Ele afirma que houve violação de uma das urnas e a troca de cédulas que indicavam voto para a chapa 2 por outras com votos para a chapa 1.

O denunciante contou que a fraude aconteceu logo após a votação, dentro do carro, a caminho do local para onde as urnas foram levadas para a contagem dos votos. Diz ele que um dos integrantes do carro – ao todo eram cinco –, perguntou para os demais “quando vai ser o ‘miguezinho’?”, o que fez o então mesário desconfiar sobre uma possibilidade de fraude na eleição.

“A urna 8, que foi violada, e as 50 cédulas originais que foram trocadas e que estão todas comigo como prova,  dão ampla maioria de 46 votos para a chapa 2 da oposição,  contra 4 votos da chapa 1,  da situação” (RG)

Ainda no carro, momentos antes de chegar ao local de apuração dos votos, segundo o denunciante, um dos homens que estavam no carro, rapidamente, pegou a urna que se encontrava no porta-malas e, ao romper a sua parte inferior, trocou as cédulas da votação, colocando as originais numa sacolinha de plástico e jogando no seu colo.

Assim, ficou a cargo do denunciante se livrar das provas no banheiro de um restaurante para onde os cinco integrantes do carro foram almoçar. Ao perceber que poderia ser importante guardar as notas, o mesário optou por não descartá-las e as manteve com ele durante os últimos meses para, enfim, fazer a denúncia.

Na urna violada havia 50 cédulas, das quais 46 indicavam votos para a Chapa 2, enquanto somente quatro eram votos para a chapa 1. O denunciante afirma que a chapa 2 era realmente a favorita para vencer as eleições, com base no que observara na manifestação dos servidores durante o período da votação.

Segundo o mesário, ele já havia tentado informar sobre o caso anteriormente para outros veículos de imprensa da cidade, mas nenhum se interessou por fazer a  divulgação. Além disso, diz ele também, que foi ameaçado por representantes da chapa 1, a quem ele acusa de ter fraudado as eleições sindicais.

Outro fato que intrigou o denunciante foi o período das eleições, marcadas para acontecer nos dias 16, 17 e 18 de setembro. Segundo ele, se a disputa ocorresse ao longo de somente um único dia, as chances de fraude seriam consideravelmente menores. No entanto, por ter sido estendido por três dias, supõe-se que houve a oportunidade de descobrirem o resultado no primeiro dia e, ao tomarem conhecimento de que a chapa 2 era a opção da maioria dos eleitores, planejaram a intervenção ilegal para o terceiro dia.

Eleições quase não aconteceram

Além de existir a suspeita de fraude eleitoral, as eleições para a escolha da chapa responsável pela administração do Sindicato dos Servidores, em 2015, quase não aconteceu.

O processo democrático só pode ser aberto porque houve uma intervenção judicial.  De acordo com um dos representantes da chapa 2, o grupo da situação dificultava e colocava empecilhos para a abertura do processo eleitoral. Só quando os membros da chapa 2 conseguiram uma liminar do juiz que determinava que acontecessem eleições, que então foi realizada a disputa. Algo inédito em 25 anos de Sindicatos dos Servidores da região, uma vez que desde 1990 não aconteciam eleições para a categoria.

O outro lado

Procurado pelo Pé de Figo, para se manifestar sobre as acusações, o presidente do Sindicado dos Servidores e membro da diretoria executiva da chapa 1, Valteni dos Santos, disse  que a eleição foi legitima, transparente e que foi devidamente fiscalizada.

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