No próximo domingo (21), a Orquestra Filarmônica de Valinhos se apresentará para o público valinhense pela terceira vez neste ano, no Teatro Multiuso da Câmara Municipal da cidade.

O maestro convidado para reger a orquestra e conduzir o concerto Todas as Vidas é Danilo Tomic, músico com formação na Alemanha e de estreita relação com a música clássica japonesa. Além de ter sido presidente da Associação Brasileira de Música Clássica Japonesa é, atualmente, um dos principais praticantes brasileiros do shakuhachi, a flauta de bambu do Japão, país onde Danilo já se apresentou.

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No entanto, Tomic garante que o público pode esperar uma apresentação bastante à brasileira. Em entrevista ao Portal Pé de Figo, o maestro, que também desenvolve projetos sociais com a música por meio do projeto Passarin, contou detalhes do concerto, e revelou a maneira como surgiu o seu interesse pelas diferentes vertentes musicais e suas respectivas significações. Além disso, manifestou o seu apoio à Orquestra Filarmônica de Valinhos e explicou os motivos que justificam a posição.

– Sou defensor incondicional de iniciativas como a da Filarmônica de Valinhos. Acho que tão importante quanto prestigiar os grandes grupos em atividade é prestigiar esses grupos locais. (…) Gostaria muito de ajudar a divulgar essa iniciativa; acho que é preciso que os moradores da cidade conheçam e ajudem a manter este trabalho. É algo que tem que ser valorizado.

Confira a entrevista.

 

Pé de Figo: Por favor, conte mais a respeito do concerto Todas as Vidas. O que a população valinhense pode esperar da apresentação?

Danilo Tomic: O concerto “Todas as vidas” é uma grande homenagem à música brasileira. Começamos homenageando o grande compositor brasileiro Villa-Lobos, que nesse ano de 2017 comemora 130 anos de nascimento. Em seguida tocaremos o grande hino musical brasileiro, Aquarela do Brasil. Em seguida, mais uma homenagem, dessa vez ao grande Pixinguinha, cuja música Carinhoso completa 100 anos. E finalizamos a primeira parte do concerto com uma homenagem ao chorinho brasileiro, talvez a nossa música mais rica. Apresentaremos três ícones desse gênero: Apanhei-te cavaquinho, Brasileirinho e Tico-tico no fubá.

Na segunda parte do espetáculo, mais uma homenagem, desta vez às mulheres nesse mês de maio, que é o mês das mães. Serão apresentadas seis músicas inspiradas no poema de Cora Coralina chamado Todas as vidas. Cada estrofe deste poema faz referência a uma mulher brasileira: a cabocla, a lavadeira do rio, a cozinheira, a sertaneja e a mulher urbana. Para cada uma foi escolhida uma música representativa. Tocaremos Dorival Caymmi, Tom Jobim, Lenine, Milton Nascimento, Baden Powell e Vinicius de Moraes. Finalmente encerraremos o concerto com uma última homenagem ao grande sambista nascido em Valinhos: Adoniran Barbosa.

“Sou defensor incondicional de iniciativas como a da Filarmônica de Valinhos. Acho que tão importante quanto prestigiar os grandes grupos em atividade, como a OSESP, é prestigiar esses grupos locais, que desenvolvem um trabalho de formação de público, divulgando a boa música.” (Danilo Tomic)

Todas as músicas ganharam uma roupagem sinfônica, cujos arranjos eu mesmo produzi especialmente para essa apresentação. Mostramos assim toda a riqueza melódica e harmônica da música brasileira, que, com essa roupagem sinfônica, ganhar coloridos inesperados e ímpares.

 

Pé de Figo: Como você avalia a Orquestra Filarmônica de Valinhos e como você acha que projetos como estes podem acrescentar para a cidade?

Danilo Tomic: Sou defensor incondicional de iniciativas como a da Filarmônica de Valinhos. Acho que tão importante quanto prestigiar os grandes grupos em atividade, como a OSESP, é prestigiar esses grupos locais, que desenvolvem um trabalho de formação de público, divulgando a boa música. Eu me lembro sempre de como acontece na Alemanha, onde há cidades relativamente pequenas que tem uma ópera com orquestra e cantores contratados e que desenvolvem uma temporada de apresentações todos os anos. As montagens não chegam nem de perto as grandes montagens dos principais teatros do país, como os de Berlim, de Hamburgo e Munique. Mas atendem ao gosto e ao interesse das comunidades locais que valorizam acima de tudo a música e os músicos. Gostaria muito de ajudar a divulgar essa iniciativa em Valinhos; acho que é preciso que os moradores da cidade conheçam e ajudem a manter este trabalho. É algo que tem que ser valorizado.

 

Pé de Figo: E como funciona o projeto “Passarim”. Como é este projeto?

Danilo Tomic: O Passarim é um projeto social de música, com o qual aproximadamente 700 crianças da região do Butantã têm a oportunidade de aprender instrumentos musicais e tocar em grupo. A ideia principal do projeto é aproveitar a música como ferramenta educativa, especialmente nas práticas coletivas, como orquestra e coral. E somos testemunhas, depois de cinco anos de trabalho, de como as crianças são transformadas com essa prática. Tocar música num grupo como uma orquestra exige concentração, escuta, respeito e compromisso. Isso os jovens levam para a vida. Tenho muito orgulho desse trabalho.

 

Pé de Figo: Como surgiu o seu interesse pela musica, sobretudo pela musica oriental também?

Danilo Tomic: Senti interesse em me desenvolver na música desde criança. Infelizmente não tive a oportunidade de participar de um projeto com o Passarim. Tive que ir atrás das experiências por conta própria. E posso dizer que tive experiências incríveis, tendo vivido duas vezes na Alemanha, a primeira estudando e a segunda a trabalho. O interesse pela música Oriental, especialmente pela japonesa, nasceu do contato que tive com ela na Alemanha. A arte tradicional japonesa é muito baseada nos preceitos zen budistas, o que lhe confere profundidade aliada à simplicidade. Presidi por vários anos a Associação Brasileira de Música Clássica Japonesa e sou um dos principais praticantes brasileiros do shakuhachi, a flauta de bambu japonesa. Cheguei a viajar ao Japão em 2012 para me apresentar, tocando minhas composições para o instrumento.

 

Pé de Figo: Quais são as diferenças entre a música oriental e a ocidental? É possível traçar um paralelo de como a música se encontra nessas culturas?

Danilo Tomic: A música é uma manifestação humana essencial e está presente em todas as culturas. Basicamente todas trabalham os mesmos elementos musicais: melodia, harmonia, ritmo, contraponto. E ela traduz a filosofia e a mentalidade da respectiva cultura. Mas acredito que há pontos que conectam as diversas culturas musicais. Eu me interesso especialmente pelo que une as diversas culturas musicais, mais do que aquilo que as diferencia. Quer dizer, acho que é reconhecendo as diferenças e particularidades de cada cultura é que você passa a enxergar aquilo como parte de um grande fenômeno humano. E isso é fascinante. Sou um humanista convicto. Temos que fortalecer aquilo que nos diferencia dos animais, porém sem criar o menosprezo pelas demais espécies. É fortalecer o que há de humano em nós para, assim, também reconhecer o que nos une ao restante do planeta e do universo.

 

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3º Concerto Oficial da Orquestra Filarmônica de Valinhos – Temporada 2017

Concerto Especial Todas as Vidas

Local: Teatro Multiuso da Câmara Municipal de Valinhos – Rua Ângelo Schiavinato, 59, bairro São Luiz, Valinhos/SP;

Data: 21 de maio (domingo), às 11h;

Maestro convidade: Danilo Tomic.

Ingressos Antecipados: Foto Parodi e www.filarmonicadevalinhos.com.br

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