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Enchentes poderão ser agravadas  com a urbanização da Serra dos Cocais 

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Valinhos anunciou nesta semana que a Secretária Municipal de Planejamento e Meio Ambiente, Maria Sílvia Previtale e os especialistas da empresa contratada pelo município estiveram presentes no último dia 23 de outubro, na sede do Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – CONDEPHAAT, para detalhar aos integrantes do conselho as avaliações técnicas contidas no Estudo Complementar que tratou do Pedido de Tombamento da Serra dos Cocais.

Tombamento é um instrumento legal que tem a intenção de proteger bens que possuam valor histórico, artístico, cultural, arquitetônico, ambiental e que tenham um valor afetivo para a população.

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O trabalho apresentado pela secretária Maria Sílvia confirma o estudo apresentado em 2016 pelo governo de Clayton Machado (PSDB)  para contestar e indicar inconsistências no pedido de tombamento da Serra dos Cocais e elencar uma série de compromissos que garantiriam a preservação da região, sem porém efetivar o tombamento.

Em 2012 o então prefeito Marcos José da Silva (PMDB) também mobilizou-se com o objetivo de barrar o tombamento. Segundo reportagem do Correio Popular na época, o prefeito de Valinhos, Marcos José da Silva (PMDB), entraria com recurso com a justificativa de que há bairros constituídos dentro da área delimitada pelo conselho. “Imagina o que será se a cada reforma ou construção nesses bairros o morador tiver que esperar autorização do Condephaat. Isso vai prejudicar muito a cidade. Tombar o patrimônio natural é o correto, mas queremos garantir que os bairros não sejam prejudicados”, afirmou.

Mestre em Geografia rebate e lamenta a posição da Prefeitura 

O relatório apresentado agora pela Prefeitura de Valinhos classifica como equivocadas as informações contidas no pedido de tombamento encaminhado pela entidade Elo Ambiental baseadas em estudos realizados pelos especialistas Aziz Ab’Sáber e Pedro Hauck, desde uma confusão entre Serra dos Cocais e Serra do Jardim até um suposto erro de localização geomorfológica. (Geomorfologia é um ramo da Geografia que estuda as formas da superfície terrestre)

É uma pena a prefeitura de Valinhos não ter interesse em preservar sua paisagem. (Pedro Hauck)

Procurado pelo Pé de Figo, Pedro Hauck, geógrafo e mestre em geografia física, contrapôs-se às alegações da Prefeitura:

O geógrafo Pedro Hauck é natural de Itatiba e atualmente vive em Curitiba / PR

Pelo que entendi, eles estão afirmando que o tombamento não compete ao IPHAN  (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)  por não ter elementos culturais, apenas ambientais.

Sobre o que eles dizem da “Serra do Jardim”, isso não altera a importância da área. Uma vez que é a mesma paisagem, com a diferença de que no local delimitado para tombamento, a paisagem está com sua característica natural mais preservada.

O que eu posso dizer disso é que é uma pena a prefeitura de Valinhos não ter interesse em preservar sua paisagem. A paisagem é uma herança em todos os aspectos. Na região metropolitana de Campinas há poucos locais onde a natureza permanece preservada. A área é singela diante da importância geoecológica.
As características da região são impróprias para a urbanização. Isso sem falar que a impermeabilização do solo ali, poderia acarretar um agravamento da crise hídrica que já existe na época da estiagem.
Na época em que estavam fazendo os estudos, perguntei porque não transformavam a área numa APA (Área de Proteção Ambiental), que é uma UC (Unidades de Conservação) que não impacta na economia. Me disseram que, enquanto não regularizassem as UC’s paulistas existentes, não iriam criar novas.
Ou seja, com isso este patrimônio de Valinhos ficará desprotegido.”, conclui Pedro Hauck.

 

Enchentes de grande proporção em Valinhos se repetem a cada ano e assustam os moradores

Enchentes poderão ser agravadas com a urbanização da Serra dos Cocais 

Além da delicada questão do abastecimento hídrico, pois a urbanização da Serra dos Cocais fará com que ela deixe de ser fornecedora de água do Rio Atibaia para ser consumidora, o fenômeno das enchentes frequentes na região poderá agravar-se.

Sobre a questão das enchentes o Pé de Figo ouviu o geógrafo Wellington Strabello:

Para o geógrafo Wellington Strabello urbanização da Serra dos Cocais vai agravar o problema das enchentes

“Existe uma forte relação entre as enchentes e o modelo de ocupação do solo. Em Valinhos, nas últimas décadas, esses eventos se tornaram cada vez mais fortes em razão do elevado índice de impermeabilização do solo. Tal processo ocorreu predominantemente pela implantação de loteamentos e condomínios horizontais que propiciaram uma brutal redução de áreas verdes importantes em regiões de cabeceiras. Certamente, ampliar esse modelo em direção à Serra dos Cocais tornará essa realidade ainda mais difícil.” afirma Wellington.

Saiba mais sobre a Serra dos Cocais em: Associação Amigos da Serra dos Cocais

Clique aqui para conhecer o relatório apresentado pela prefeitura: Análises Técnicas Sobre o Pedido de Tombamento da Serra dos Cocais

Fonte: PMV, RAC, Altamontanha.com




3 Comentários

  1. Sou nascido em Valinhos e amo muito minha cidade. Infelizmente nossa qualidade de vida vem caindo a cada ano principalmente pela exploração imobiliária que sobrecarrega nossa infraestrutura sem gerar benefício algum para a população cujos interesses não são defendidos pelos poderes públicos que são (muito bem) pagos para fazê-lo. Já hoje um estudo ambiental impediria que qualquer novo empreendimento imobiliário fosse autorizado, mas quem vai ter coragem de enfrentar os “Barões” da cidade?

  2. Os “empreendedores” imobiliários agem como sanguessugas, exploram como podem as brechas da lei e a dificuldade financeira dos proprietários de terra para então especularem com a terra. Além de lotarem a já precária infraestrutura urbana – sem uma adequada e justa contrapartida – eles impermeabilizam o solo e contribuem para a escassez dos recursos hídrico e aumento das enchentes.

    Um tumor maligno não fica nem um pouco atrás…

  3. Da forma como o prefeito correu para o local da invasão dos membros do MST em defesa dos especuladores de Valinhos, está bastante claro quem dá as cartas na atual gestão municipal…

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