Entrar nas redes sociais na tarde de ontem (20) fez entristecer uma grande parte da minha geração. Em meio a vários vídeos de músicas da banda Linkin Park que marcaram minha adolescência, a notícia de que um de seus vocalistas, talvez o que mais influenciou a legião de fãs da banda, havia sido encontrado morto em sua casa na Califórnia. Marcas de enforcamento sugerem que a morte tenha sido por suicídio.

Ao ler isto, primeiramente num post do meu irmão, e depois em inúmeros posts de diversos amigos, fatalmente me transferi para os finais de tarde da minha adolescência, quando, no ócio, colocava para tocar os CDs Hybrid Theory ou Meteora, ou então o DVD Live in Texas. Volume no máximo.

Ouvindo à potente voz de Chester Bennington, eu dançava, pulava, cantava junto, e relaxava. Era a melhor forma que eu encontrava, em pleno início do século, para me libertar do stress e dos problemas da vida na periferia de Campinas.

Agora Chester está morto. Suicídio. E notícias surgiam de todos os lados sobre seu estado depressivo dos últimos meses, bem como de sua luta ao vício em drogas ilícitas, que começou a usar na sua adolescência, quando buscou nestas o conforto para se livrar das marcas de um estupro.

Ainda ontem, já na cama pronto para dormir, peguei meu celular, abri o YouTube, busquei por “Live in Texas” e assisti mais uma vez ao show que um dia soube de cor. Deixei meu pensamento viajar.

É surpreendente como um fato deste me remeteu à potência da arte. De como ela consegue nos afetar profundamente sem necessariamente criar um vínculo entre espectador e artista. Chester lutava contra a própria depressão, mas quando cantava, a sensação que sua arte me remetia era de paz. Chester me ajudava a enfrentar os meus problemas, quando ele mesmo tinha dificuldade em enfrentar os seus.

Vou continuar ouvindo Linkin Park, cantando junto com Chester, e buscando em suas músicas inspiração para cada passo. Acredito que assim que ele gostaria que seu legado fosse usado.

Fonte da imagem: Getty Images – Wireimages




 

 

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