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“Tinha três anos e meio quando mudei aqui pra essa casa… Hoje tenho um pouco mais. Nessas ruas já conheci até italianos que vieram fugido de lá porque lá o Mussolini fez eles tomarem um litro de óleo rícino. Mas entres várias histórias, vi o bairro mudar. Aqui onde eu to morando, era tudo figo. Não muito, mas tinha umas duas, três quadras de figo. E aí, da esquina até na escola Ciro era uva. Uva, pera, maça, essas coisa aí.

Meu pai teve vários filhos, então precisamos começar a trabalhar quando ainda éramos moços. Muito além da lavoura, fomos trabalhar na fábrica da Gessy, que não era muito longe. Trabalhávamos para ajudar em casa, até que em 1948 meu pai não teve outra alternativa a não ser lotear o terreno e começar a vender os pequenos lotes. Precisa sustentar os filhos, sabe? Ali começou essa bairro que vocês veem aqui hoje.

Mas a coisa não parou né, me casei e em 1959 e comecei a vender rojão e foguete. A ideia na verdade foi da minha mulher. Ela era uma mulher de negócios. Ela quis vender e começou, assim do nada. Aí a coisa foi pra frente. Então, aqui do lado, fiz uma casinha, sabe? Pra ela vender. E, de noite, ‘nós recolhia’ né? Punha os fogos pra dentro e ia dormir.

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Fomos crescendo até que a cidade conheceu a gente. Conheciam a Maria Fogueteira. Mas infelizmente fechamos o negócio porque não nos deixavam mais ficar aqui. Os bombeiros exigiram fazer isso aqui, então ela fez. Diziam que deveria fazer aquilo ali, ela ai e fazia. Agora, a última, é que não aceita mais vender os fogos aqui. Diz que é por causa do posto, da escola, do prédio, então… Teria que mudar pra um barracão fora da cidade.”

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