A negociação entre Guarani e Richarlyson foi feita sob sigilo, pois os cartolas campineiros sabiam que a rejeição ao jogador seria grande.

Aos 34 anos, Richarlyson está de volta ao futebol brasileiro, após uma rápida passagem pela Índia, no ano passado. O jogador, que viveu no São Paulo os melhores anos de sua vida esportiva, foi contratado para ajudar o Guarani a fazer uma boa campanha na Série B do Campeonato Brasileiro – subir para a divisão de elite do país parece uma glória fora do alcance da tradicional equipe de Campinas, que tem terríveis problemas financeiros. E Richarlyson chegou ao clube da mesma maneira que atravessou a sua carreira de quase 15 anos: lutando contra o preconceito.

A negociação entre Guarani e Richarlyson foi feita sob sigilo, pois os cartolas campineiros sabiam que a rejeição ao jogador seria grande. E isso ficou provado nesta segunda-feira, quando o clube anunciou a contratação. Pelas redes sociais, muitos torcedores se mostraram contrários à chegada do volante e, segundo o site Globoesporte.com, cinco bombas foram atiradas na sede do Guarani por dois homens em uma moto. Ninguém ficou ferido.

Embora Richarlyson já não esteja no auge de sua carreira, e não jogue desde o ano passado, quando defendeu o FC Goa, da Índia, nada indica que tamanha revolta com a sua contratação tenha alguma motivação futebolística. Desde que ganhou fama nacional, nos cinco anos que passou no Morumbi (entre 2005 e 2010), o jogador revelado pelo Santo André enfrenta o preconceito causado por rumores sobre sua orientação sexual.

Experiente no assunto, Richarlyson mostrou-se seguro em sua primeira entrevista como jogador do campeão brasileiro de 1978. Ele afirmou estar certo de que seu desempenho em campo vai vencer a resistência à sua presença no clube.

“Sobre as pessoas que me rejeitam, depois vão me aplaudir. Isso é o mais importante. Ouvi coisas de que eu não viria por estar chateado, mas eu não dei declaração alguma. Pediram sigilo na negociação e ninguém sabia disso. Existiram inverdades tentando manchar algo que não se mancha”, disse o jogador, referindo-se aos rumores de que ele desistiria de jogar no Guarani por medo da rejeição.

A contratação de Richarlyson foi uma vitória pessoal do treinador do Guarani, o experiente Vadão. Muitos dirigentes do clube de Campinas eram contra a incorporação do ex-são-paulino ao elenco, mas o técnico bateu o pé e conseguiu fazer valer sua vontade. “É uma contratação de peso grande. Foi um pedido que fiz após ouvir do Richarlyson a vontade de ajudar o Guarani. Temos um jogador que foi campeão de tudo e que em outra situação jamais conseguiríamos trazer. Ele vai ter o papel de liderança e não irá ajudar apenas no campo com a bola rolando. Vai opinar quando eu solicitar”, disse Vadão.

Com o apoio do chefe, Richarlyson vai tentar superar com a bola nos pés a resistência que o acompanha por onde ele anda. Foi o que o filho de Lela e irmão de Alecsandro fez no São Paulo, em que teve um papel muito importante no time tricampeão brasileiro (2006, 2007 e 2008), tanto que chegou a ser convocado por Dunga para a seleção brasileira. Resta saber se, aos 34 anos, o volante ainda tem futebol para fazer a torcida do Guarani, ou ao menos a parte dela que não o recebeu bem, esquecer a má vontade e tratá-lo com carinho.

Fonte: http://chuteirafc.cartacapital.com.br

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