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Hospital divulga nota para tranquilizar a população

Depois dos comentários nas redes sociais e na imprensa local, divulgando que a Santa Casa de Valinhos contava seis pacientes infectados na Unidade de Terapia Intensiva – UTI pela superbactéria KPC, o superintendente da entidade, Fernando Pozzuto, emitiu nota pública a fim de tranquilizar a população e esclarecer a real situação.

Segundo a direção do hospital, a situação das superbactérias, presente em qualquer ambiente hospitalar, está sob controle na Santa Casa. “Todo e qualquer hospital, pode, eventualmente, apresentar o aumento de níveis de algum tipo de bactérias multirresistentes, visto que, sempre haverá pacientes colonizados (ou seja, como hospedeiros), destas superbactérias em função das transferências de um hospital para outro e das condições de cada instituição”, afirma Fernando Pozzuto.

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Anteriormente, o hospital já havia divulgado outra nota, assinada pela infectologista, Dra. Paula Telles, para explicar que a Santa Casa segue todos os procedimentos com o objetivo de controlar a proliferação da bactéria resistente KPC.

A Santa Casa confirma a presença das bactérias e reafirma que pratica todas as ações e medidas necessárias para o controle da sua proliferação.

Segundo o Superintendente, por conta disso todas as devidas medidas de limpeza e precaução estão sendo tomadas. “Diante desse fato, foram desencadeadas medidas como reuniões periódicas com a administração do hospital e coordenação dos setores envolvidos, além de intensificação das medidas de precaução de contato, higiene das mãos e do ambiente, revisão de processos de trabalho e de estrutura física da UTI”, explicou.

Fernando Pozzuto, Superintendente da Santa Casa de Valinhos

Segundo Fernando Pozzuto, “após as medidas implementadas, os índices continuam sendo avaliados pela comissão multidisciplinar sendo que a situação encontra-se sob controle”.

KPC não é o nome da bactéria, mas de uma enzima produzida por ela

O site Minha Vida publicou matéria com a infectologista Ana Cristina Gales, da UNIFESP, abordando as principais questões que envolvem a bactéria KPC:

1 – O que é a bactéria KPC?

KPC não é o nome da bactéria, mas de uma enzima produzida por ela, que é capaz de inativar os antibióticos mais potentes disponíveis para o tratamento de infecções graves, principalmente aquelas adquiridas no ambiente hospitalar.

2 – Ela é chamada de superbactéria? Por quê?

As superbactérias só são assim denominadas quando produzem uma enzima tão potente capaz de inativar a eficácia de outros antibióticos, limitando, assim, as possíveis opções para o tratamento de infecções graves.

3 – A KPC é uma mutação?

Não se trata de uma mutação. “Ninguém sabe ao certo como a primeira dessas bactérias surgiu, mas acredita-se que o uso dos antibióticos do tipo carbapenens, de uso comum, favoreceu sua aparição, mas ninguém sabe a origem do gene, nem como isto ocorreu exatamente”, diz a especialista.

4 – Qual a velocidade de reprodução dessa bactéria?

As bactérias do mesmo tipo das KPC, geralmente se multiplicam muito rápido, duplicando de número a cada 20 minutos.

5 – Quais são os sintomas ocasionados pela bactéria KPC?

Os principais sintomas causados pela bactéria KPC são: febre com hipotermia; taquicardia e piora do quadro respiratório. Nos casos mais graves hipotensão; inchaço e até falência múltipla dor órgãos. Em relação ao local de infecção, a bactéria pode KPC pode causar pneumonia associada à ventilação mecânica, infecção do trato urinário e infecção da corrente sanguínea.

6 – Qualquer pessoa pode ser infectada pela KPC? Há grupo de risco?

As pessoas que estão hospitalizadas, ou em contato com ambiente hospitalar têm maiores riscos. “Porém, pacientes hospitalizados em UTI’s com doenças debilitantes como câncer ou com transplante, e que receberam antibióticos apresentam maior risco de ser contaminado com a bactéria”, diz Ana.

7 – Como ocorre a transmissão entre as pessoas?

A transmissão ocorre por meio do contato direto, como tocar a outra pessoa, ou por contato indireto, por meio do uso de um objeto comum, por exemplo. Assim, é bom evitar tocar superfícies de hospitais, como camas, portas e paredes. Para evitar a maior proliferação, não tome antibióticos por conta própria e siga as orientações médicas. Caso precise entrar em contato com pacientes, lave bem as mãos antes e depois.

8 – A KPC está espalhada nas ruas ou em qualquer ambiente?

Até o momento, as bactérias produtoras de KPC foram observadas somente em pacientes hospitalizados ou que estiveram no ambiente hospitalar. “No ambiente, provavelmente esta bactéria teria menos chance de sobreviver quando “competisse” com outras, pois não criou ainda resistência”, explica a médica.

9 – Quais são os maiores riscos?

O maior risco reside na não detecção da superbactéria, o que pode ocorrer com frequência por ser um organismo ainda desconhecido, causando eventual tratamento inadequado do paciente, o que aumenta as chances de morte do paciente.

10 – Como é feito o diagnóstico?

Existem testes especiais feitos caso o paciente apresente sinais e sintomas de infecção urinária, por exemplo. O médico irá solicitar exames urina e o antibiograma, que é o teste realizado para confirmar se a bactéria é sensível ou resistente a determinado antibiótico. “Por outro lado, se quero saber se um paciente está contaminado com a bactéria porque está ao lado de um paciente infectado por esta bactéria ou colonizado (que tem a bactéria no organismo, mas não apresenta infecção), solicitamos a realização de outro exame, o swab retal (introdução de um “cotonete”), para que seja avaliado se há o crescimento desta bactéria”, afirma a especialista.

11 – Quais procedimentos devem ser adotados se houver o diagnóstico positivo?

Independentemente de o paciente estar infectado ou colonizado no ambiente hospitalar, ele será isolado em um quarto, as visitas serão restringidas, os profissionais da área saúde que o atenderem usarão medidas de barreira como avental e luvas que deverão ser desprezados antes de saírem do quarto do paciente. Se possível, estes profissionais não deverão prestar atendimento a pacientes não infectados ou colonizados, para não contaminá-los também.

12 – Como é o tratamento?

A maioria das amostras de KPC encontradas até agora são sensíveis aos antibióticos como aminoglicosídeos, polimixinas e tigeciclinas. “Porém, existe o risco de a bactéria desenvolver resistência a estas drogas, ou de o gene ser adquirido por uma espécie bacteriana que é naturalmente resistente à tigeciclina ou às polimixinas”, diz Ana.

13 – Os hospitais devem fazer exames específicos nas pessoas em geral?

Não, uma vez que não existem casos de infecção fora dos quadros de risco descritos no país.

14 – Como posso me prevenir?

A lavagem das mãos, com sabão ou álcool gel, é a medida mais simples, mais barata e mais eficaz no controle da disseminação de das bactérias. Além disso, os profissionais de saúde devem manter todo o protocolo de medidas preventivas.

 

1 Comentário

  1. Comentário Saudável, mas também preocupação , na Prevenção de Infecção Hospitalar. Reservatório de Água Elevado em Hospitais. São duplos, para permitir o uso de um, enquanto estiver interditado para reparos ou limpeza ( Código dos Hospitais). Os outros dois, totalmente segredos dos de água potável, destina-se a suprir água para descarga de bacias sanitárias e similares. A efetiva elevação de contaminação todavia carece ser melhor estudadas. ANVISA RDC 216/2004, a cada 6 meses devem ser lavados , desinfectar (higienização) em reservatórios residencial e comercial. obs: Somente interesse da informação técnica, ou seja, estudos. Nada haver com política.

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