Seca reduz preço da goiaba e aumenta custos de produção em Valinhos

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Tamanho do fruto também é 30% menor, segundo os produtores

A estiagem na região de Campinas (SP) reduziu em cerca de 50% o preço de venda das caixas de goiabas dos 200 produtores de Valinhos (SP), na região de Campinas (SP). O quilo, que chegava a ser comercializado por até R$ 7, está saindo por até R$ 3,50, segundo os produtores. “A situação é geral”, alerta o agricultor Valdemir Chiquetano, que tem 1,5 mil pés.

No caso das goiabas maiores (graúdas), agricultores disseram ao G1 que o preço despencou dos R$ 10 para os cerca de R$ 5.

A queda no preço é um reflexo da falta de água, porque sem chuvas regulares os frutos crescem com o tamanho em até 30% menor, já que amadurecem antes do tempo e precisam ser comercializados rapidamente.

“Com a seca, a goiaba fica até 30% menor do que na produção normal. Ela fica madura em até 5 meses”, explica Leonardo José Joaquim, que planta a fruta junto com o sogro em Valinhos.

Vale lembrar que a produção de goiaba dura o ano todo, já que os agricultores intercalam as podas para ter colheita nos 12 meses. De acordo com institutos de meteorologia, só em Valinhos choveu 1005 milímetros entre os meses de janeiro e agosto deste ano, contra 1.256 milímetros no mesmo período do ano passado.

Aumento dos custos

O presidente da Associação Agrícola de Valinhos e Região, Pedro Sidnei Pellegrini, lembra um terceiro impacto negativo na produção de 2017. Com a falta de chuva, os produtores precisam de irrigação, que eleva em até 50% os custos de produção.

“Com a seca os produtores precisam de irrigação e os custos de produção sobem até 50%. Isso, por causa da energia elétrica para puxar a água de um lago”, explica Pellegrini.

O agricultor Leonardo Joaquim lembra que nem todos os produtores podem investir em irrigação por causa do preço. É o caso da propriedade rural onde ele trabalha. “Tem outra coisa, não pode tirar água do rio. E se tirar do poço, mais para frente ficamos sem água para beber”, completa.

O agricutor Valdemir Chiquetano disse que trabalha com irrigação, mas toda vez que utiliza o sistema precisa esperar até uma semana para que a represa se recupere.

Figo

A região de Valinhos também é forte na produção de figos, mas segundo a Associação Agrícola, a fruta sofre mais com as temperaturas baixas, mas como o inverno de 2017 não foi tão rigoroso não afetou a colheita.

Inverno mais seco

O Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri ) da Unicamp registrou o inverno mais seco desde que começou a fazer sua medição em Campinas (SP), em 1988.

Do início de julho até dia 21 de setembro, choveu apenas 34 milímetros na área de medição do centro. O pior inverno em matéria de chuva nos últimos anos na medição do Cepagri tinha ocorrido em 1994, com o registro de 49 milímetros.

Fonte: G1 Campinas e Região




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