Um pesadelo assombra a Pátria deitada em berço esplêndido

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“O Brasil padece de uma secular endemia cujo mosquito vetor tem três patas: a apatia do povo, a canalhice da imprensa e a estupidez das elites.” (Antonio Veronese)

Passaram a vigorar neste sábado, dia 11 de novembro de 2017, as alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) aprovadas pelo Congresso Nacional no bojo da reforma trabalhista proposta por Michel Temer.

Mais de 100 itens da CLT foram modificados pela proposta que tramitou rapidamente na Câmara de Deputados e Senado Federal , sem que houvesse uma participação efetiva das partes da sociedade atingidas, como prevê os mecanismos democráticos de nossa Constituição.

Medidas que precarizam as relações de trabalho, com prejuízos evidentes aos empregados, causam espanto pelo retrocesso que representam, tais como negociações individuais entre patrões e empregados para fechar acordos de demissão, extinção de banco de horas e fracionamento de férias.

Mas não para aí a ofensiva deste governo que bate recordes de desaprovação. A nova legislação contempla ainda o contrato de trabalho sem vínculo de emprego e o trabalho intermitente, que nada mais é do que a legalização do bico, e que anula direitos e garantias.

Enquanto empresas correm para pôr em prática o equívoco de depreciar as condições de trabalho dos seus colaboradores, (um hospital de São Paulo já anunciou o fim de um dia de folga e do pagamento extra para os funcionários que trabalham durante feriados, a partir de hoje) e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, comemora que o Brasil está “maduro para viver uma nova forma de relação entre trabalhadores e empregadores, que será positiva para todos”, pesquisa realizada no final do mês de outubro pelo Instituto Vox Populi atesta que 81% dos brasileiros desaprovam a medida.

A apatia do povo, a canalhice da imprensa e a estupidez da elite

Tão inacreditável quanto a inescrupulosa ousadia de um governo ilegítimo de legislar contra o seu povo é a total falta de reação por parte deste mesmo povo diante de tais massacres sociais.

O artista plástico brasileiro Antonio Veroneze, não se contem e desabafa: “O Brasil padece de uma secular endemia cujo mosquito vetor tem três patas: a apatia do povo, a canalhice da imprensa e a estupidez das elites.”

Não podem ser promissoras as perspectivas do futuro que se avizinha diante da usurpação do poder por quadrilhas instaladas nos três poderes da nação por um lado, e, de outro,  uma população arredia às questões políticas, calada em sua mórbida apatia e anestesiada por uma imprensa que, vendida, riscou do mapa a prática do jornalismo.

Na história recente, uma parcela da sociedade vestiu-se de amarelo e saiu às ruas confiante de que o gigante adormecido finalmente despertara. A triste realidade é, no entanto, que um pesadelo assombra a pátria deitada em berço esplêndido.

Ilustração: “Operários”, de Tarsila do Amaral

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