Era o ano de 1967. O Brasil recebia da ditadura militar a sua sexta constituição, uma tentativa, bem sucedida pela força, de institucionalizar e legalizar o golpe de 1964.

Como que para confirmar a tragédia daqueles tempos sombrios, no mês de janeiro do mesmo ano, regiões do Rio de Janeiro e de São Paulo foram palco de destruição causada por chuvas torrenciais. Veículos e pessoas foram arrastados pelas águas e, nos dias seguintes, o país contabilizava os mortos e desaparecidos, com número calculado em torno de 700 vítimas.

Em Valinhos, a cidade esperava ansiosa a inauguração da Praça Washington Luiz, que acabou acontecendo em dezembro de 1967, como obra do Prefeito Vicente José Marchiori. Uma homenagem ao advogado que presidira o Brasil de 1926 a 1930, falecido em 4 de agosto de 1957, dez anos antes do nascimento do logradouro que receberia o seu nome.

Eu tinha 10 anos de idade, e morava na Rua Itália, a pouco metros da nova praça. Estudava no Sesi 102, e a professora pediu que fizéssemos uma redação sobre a inauguração da Praça Washington Luiz.

Eita nome difícil: w-a-s-h-i-n-g-t-o-n. Então lá fui eu, com lápis e papel, conferir na placa inaugural como se escrevia o nome da praça recém entregue ao povo valinhense. Naquela época não existia o Google.

A população da Capital do Figo passeava em volta da Praça, encantada com a dança colorida da fonte luminosa, ao som de Roberto Carlos, enquanto o regime militar perseguia, torturava e matava brasileiros que lutavam pela democracia.

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