
Durou pouco o vazio das ruas reinante na semana passada, resultado da decretação do estado de calamidade e do período de quarentena, pelo governador do estado e pelo prefeito.
Após as declarações desencontradas do governo federal e os inacreditáveis pronunciamentos do presidente da república, muita gente embarcou na perigosa roleta russa de voltar às ruas da cidade.
Por mais que sejam compreensíveis os argumentos de que a maioria depende do trabalho e tem contas a pagar, nada, nada mesmo, é mais importante, neste momento, do que preservar a própria vida e a vida dos entes queridos.
A demora no retorno dos resultados dos testes colhidos dos pacientes com suspeita de infecção pelo coronavírus é outro fator que leva a população a não se convencer da gravidade da pandemia.
Nem mesmo o vínculo afetivo com a origem italiana, cantada em prosa e verso por inúmeras famílias tradicionais valinhenses, é capaz de sensibilizar grande parte da nossa gente com o exemplo da Itália, que após menosprezar o avanço da pandemia, hoje chora as 13.155 mortes em decorrência da doença, número que aumenta a cada dia.
O desconsolo se agrava na constatação das chacotas nas redes sociais, somadas aos insultos e espasmos de ignorância, de quem brinca com a frágil fronteira entre a vida e a morte.

