O Pé de Figo ouviu o produtor de frutas valinhense, Matheus Lacarini, sobre as consequências do impacto do tarifaço dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras, anunciado pelo presidente Donald Trump.
Os Irmãos Lacarini, produtores rurais desde 1969 em Valinhos (SP), são referência nacional na produção e exportação de figos. Com cerca de 100 mil pés cultivados e mais de 300 toneladas exportadas anualmente para dezenas de países, a família se consolidou como uma das principais fornecedoras brasileiras da fruta no mercado internacional.
Diante do recente anúncio do governo norte-americano de impor tarifas de até 50% sobre produtos importados do Brasil, o setor agrícola brasileiro acendeu o sinal de alerta. No entanto, segundo os Lacarini, o impacto imediato da medida ainda é limitado para o setor de figos.
“A gente não exporta figo para os Estados Unidos. O Brasil não tem liberação do FDA, que regulamenta a questão alimentar nos EUA. Então, no primeiro momento, não sofremos impacto com o tarifaço”, explicou Lacarini.
A declaração reforça que, atualmente, não há exportações de figo da região para o mercado norte-americano. No entanto, o cenário pode mudar indiretamente, dependendo dos desdobramentos do comércio internacional.
“Vamos ver como vai ser na época de festas, se isso vai forçar outros países a mandarem mais figo para a Europa. Ainda está bem incerto. Podemos enfrentar mais ou menos concorrência, dependendo de como o mercado reagir.”
Segundo o produtor, o momento em que as tarifas foram anunciadas coincide com o fim da safra brasileira e o início da safra da Turquia, uma das principais concorrentes no fornecimento da fruta para o mercado europeu. Isso pode dar ao setor um tempo de respiro para analisar melhor os impactos da medida, já que as exportações brasileiras de figo só devem ser retomadas em novembro.
“Teremos cerca de dois meses para observar os efeitos desse tarifaço no mercado mundial.”
Apesar da relativa tranquilidade para os produtores de figo, o cenário é mais preocupante para outros setores do agronegócio, como o da manga, por exemplo.
“Para quem exporta manga, é um cenário bem difícil. O Peru, que é hoje o principal concorrente do Brasil na exportação de manga para os EUA, teve uma tarifa de apenas 10%. Ou seja, o Brasil perde competitividade.”
O episódio evidencia a complexidade e interdependência do comércio global de alimentos. Mesmo setores que não exportam diretamente para os EUA podem sentir os reflexos da mudança nos fluxos comerciais, como o redirecionamento de produtos e o aumento da concorrência em outros mercados.


