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Valinhos e o Fetiche da Palestra: A Educação que Não Educa

24 de julho de 2025 8 minutos de leitura
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Adauto Damasio*

A partir de algum momento da história, a Educação foi capturada pelo inócuo modismo das palestras, todas devidamente ancoradas em “bons contratos”. Moda oriunda das grandes corporações do setor produtivo privado, essa prática rigorosamente ineficiente vigora hodiernamente nas hostes douradas dos poderes executivos, potencializada pelos meios virtuais de comunicação. Motivo de chacota nos corredores escolares pela maioria dos profissionais da educação, seus resultados nunca foram medidos, e sua eficiência jamais foi mensurada ou dimensionada de alguma forma. Os palestrantes falam por duas horas, recebem os valores contratados, dizem “tchau” e evadem-se do local.

A partir da criação de legislações e normatizações variadas que afirmaram a obrigatoriedade da existência de Programas de Formação Continuada nas redes de ensino, inúmeras empresas e organizações particulares foram criadas para oferecer serviços de formação para professores e demais profissionais da educação. Essa “erupção” de empresas especializadas em gestão escolar, aprendizagem, neuroaprendizagem, educação inclusiva, entre outras, teve início com a LDB de 1996 e avançou até a Lei nº 14.817, de 16 de janeiro de 2024. Todas atentas, claro, aos recursos do FUNDEB. Os recursos da educação sempre foram motivo de cobiça — inclusive por parte de empresas que produzem recursos e materiais didáticos.

Com o crescimento do número de doutores no Brasil, resultado da ampliação dos programas de pós-graduação nas instituições públicas e privadas, doutores em educação desocupados, desempregados, sem nenhuma capacidade para atuar em um ambiente escolar ou sem disposição para lecionar para crianças e jovens passaram a criar essas empresas ou a trabalhar em instituições e fundações que oferecem esses serviços aos clientes “necessitados”. Outros se encastelaram em Secretarias da Educação e passaram a cumprir papéis de burocratas do poder (no pior sentido do conceito, muito longe do proposto por Max Weber).

Mas quem estaria necessitando desses serviços de formação? Claro, o poder público, cuja necessidade é demonstrar ao Ministério Público que investe em Formação Continuada — mesmo que isso não seja verídico. Ministério Público, por sinal, que vai aceitando essas práticas como sinônimos de Formação Continuada… Assim, a partir de algum momento na história recente, inaugurou-se a prática da oferta de palestras periódicas para profissionais da educação. Sobre o tema, recomendo a assistência a um impagável vídeo de Clóvis de Barros sobre os “gurus que vêm de longe” (…).

O “complexo de vira-latas”, conceito de Nelson Rodrigues em voga no Brasil de 2025,
tem nessa prática sua ressignificação nas ‘aldeias do interior’: é preciso que alguém venha de fora para “iluminar” nossas práticas. Claro, ninguém está preocupado em ler o teor do Artigo 9º da Resolução CNE/CP nº 1, de 27 de outubro de 2020, que versa sobre quais são os variados tipos de cursos aceitos na rubrica de Formação Continuada:

Art. 9º – Cursos e programas flexíveis, entre outras ações, mediante atividades formativas diversas — presenciais, a distância, semipresenciais, de forma híbrida ou por outras estratégias não presenciais, sempre que o processo de ensino assim o recomendar —, visando ao desenvolvimento profissional docente, podem ser oferecidos por IES, por organizações especializadas ou pelos órgãos formativos no âmbito da gestão das redes de ensino, como:
I – Cursos de Atualização, com carga horária mínima de 40 (quarenta) horas;II – Cursos e programas de Extensão, com carga horária variável, conforme respectivos projetos;
III – Cursos de Aperfeiçoamento, com carga horária mínima de 180 (cento e oitenta) horas;
IV – Cursos de pós-graduação lato sensu de especialização, com carga horária mínima de 360 (trezentas e sessenta) horas, de acordo com as normas do CNE;
V – Cursos ou programas de Mestrado Acadêmico ou Profissional, e de Doutorado, respeitadas as normas do CNE, bem como da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

O sentido normativo da resolução é claro e bastante óbvio para quem trabalha com ciência, educação e produção do conhecimento de forma geral: é preciso que profissionais da educação estudem. Para estudar, é preciso frequentar cursos, ler uma determinada bibliografia ao longo de um período letivo, participar de grupos de estudos, fóruns de debates, simpósios e congressos, produzir pesquisa empírica, escrever artigos e livros — ou seja: produzir ciência. Um bom professor é, necessariamente, um pesquisador. Produzir pesquisa exige tempo disponível e remuneração para tal. Nada disso parece esclarecer os cérebros dos que definem políticas públicas de educação no burgo valinhense.

O poder executivo municipal interpreta professores e profissionais da educação como funcionários públicos que foram aprovados num concurso público e devem simplesmente trabalhar e entregar resultados. Não há a mínima percepção dos variados graus de diferenciação dos profissionais da educação em relação aos demais servidores municipais.

Em Valinhos, a “cultura das palestras” (ou “palestrinhas”, como diz meu amigo Pedro Marques) persiste em todas as gestões do poder executivo, pois a praga se alastra como erva daninha em gramados férteis e sem os devidos cuidados. Seguiu-se da inútil palestra de um professor que abandonou a ciência para ficar milionário com a venda de discursos de autoajuda ao espetáculo grotesco do dia 4 de fevereiro de 2025, que nos causa vergonha alheia até hoje. Oferecer palestras deixou de ser o ápice dos resultados de uma pesquisa científica e passou a ser apenas um negócio, um empreendimento per si.

Nesta sexta-feira, dia 25 de julho, teremos mais uma palestra. Gurus que vêm de fora e de longe irão falar por duas horas para os professores da rede municipal de Valinhos. Talvez indiquem um ou dois títulos de livros que os professores não terão tempo de ler, pois estão “entupidos” de aulas e porque não são remunerados para isso. Talvez indiquem algumas práticas pedagógicas que qualquer um pode encontrar na internet.

E la nave va: Federico Fellini é eterno, e o realismo italiano é nosso — apesar de Valinhos ter origem histórica preta e africana. Se preferirem, podem ficar com o surrealismo de Salvador Dalí: a grotesca miséria é a mesma. Hoje, não conclamo Brás Cubas, de Machado de Assis. Até o herdeiro de um tanoeiro cansou.

*Adauto Damasio é Graduado e Mestre em História pela Unicamp, Pedagogo pela Uninter. Professor das redes públicas municipais de Valinhos e Campinas e do Colégio Alethus. Valinhense desde 1964.

TAGGED: Adauto Damasio, educação, Palestrantes, Palestrinhas

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Heriberto Pozzuto 24 de julho de 2025 24 de julho de 2025
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