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De Valinhos ao Brasil: os ecos locais do fascismo contemporâneo

17 de agosto de 2025 8 minutos de leitura
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“Se a liberdade é um valor tão desejado, por que tantos fogem dela em direção à submissão e ao autoritarismo?”

Por que tantas pessoas trocam a liberdade pela submissão a líderes autoritários? E o que isso tem a ver com a história recente de Valinhos? Essas são algumas das questões abordadas pelo professor e historiador Adauto Damasio em artigo exclusivo para o Pé de Figo.

Com base em pesquisas e referências clássicas, ele mostra como o fascismo brasileiro contemporâneo nasce de ressentimentos sociais e culturais ainda presentes em nosso cotidiano. Um texto provocador e indispensável para quem quer compreender os desafios da democracia.

“Se a liberdade é um valor tão desejado, por que tantos fogem dela em direção à submissão e ao autoritarismo?” – questiona o autor, dialogando com Erich Fromm para explicar a atração contemporânea pelo autoritarismo.

ESCRITOS SOBRE O FASCISMO BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO: OS CONFLITOS DE UMA TRANSIÇÃO INCOMPLETA (INCLUSIVE EM VALINHOS)

Adauto Damasio*

A pesquisa recente da Quaest revela que o ressentimento é um dos pilares da polarização política no Brasil. Os dados mostram uma clivagem profunda: enquanto nordestinos, negros, pobres, mulheres e católicos reconhecem melhorias em suas condições de vida nas últimas décadas, homens brancos – especialmente do Sul –, evangélicos e a classe alta tendem a negar esses avanços. Mais revelador ainda é o julgamento sobre o mérito dessas conquistas: para os primeiros, o progresso foi fruto de esforço legítimo; para os segundos, trata-se de privilégios imerecidos. Esse abismo de percepções não é acidental – ele alimenta o conflito político que define nosso século, mas cujas raízes mergulham no passado recente.

Entre as décadas de 1930 e 1980, o Brasil assistiu a um massivo deslocamento populacional do campo para as cidades, especialmente no eixo industrial do Sudeste. Os migrantes trouxeram consigo não apenas sua força de trabalho, mas todo um universo cultural forjado no mundo rural – com seus valores e contradições. Essa cultura, ainda que celebrada em expressões artísticas como a música sertaneja, carregava marcas profundas do patriarcado, do latifúndio e da herança escravista. Era um mundo de hierarquias rígidas, onde o poder masculino era incontestável, a violência racial era naturalizada e a religiosidade misturava fé com pragmatismo cotidiano.Em cidades como Valinhos, entre tantas outras, esses valores se enraizaram nas periferias industriais. Homens que trabalhavam exaustivamente em fábricas insalubres viam na casa própria e no carro adquirido a duras penas símbolos de uma moralidade baseada no sacrifício e no mérito. Nessa visão de mundo, o mérito era medido pelo sofrimento individual – e reservado apenas para alguns.

O período pós-Constituição de 1988 representou um terremoto nessa ordem estabelecida. A criação do SUS, as políticas de cotas, a Lei Maria da Penha e a expansão do acesso à educação criaram condições para que grupos historicamente marginalizados – negros, mulheres, LGBTQIA+ – não apenas existissem, mas reivindicassem direitos sem mediações. Para a chamada “geração de ferro”, aqueles que haviam internalizado a ética do sacrifício como único caminho válido, essas mudanças foram interpretadas como uma inversão de valores. Onde viam conquistas sociais, enxergavam privilégios; onde reconheciam inclusão, denunciavam ameaças.

Esse mal-estar se transformou em pânico moral. Na educação, questionava-se por que algumas crianças recebiam merenda e livros gratuitos. No mercado de trabalho, as cotas eram vistas como usurpação de vagas. Na religião, o avanço neopentecostal transformou o ressentimento em doutrina, pregando a nostalgia de um tempo em que “os papéis sociais eram claros”. A teologia calvinista da prosperidade aprofundou ressentimentos e as novas pautas de direitos individuais e de grupos causaram profundo estranhamento.

A era digital acelerou essa crise. Nas redes sociais, os valores tradicionais da “geração de ferro” foram simultaneamente ridicularizados como arcaicos e defendidos como identitários. A reação foi a adesão a um projeto político que prometia restaurar hierarquias, romantizar a violência e substituir a política por lideranças messiânicas. Em cidades como Valinhos, isso se traduziu não apenas no apoio a figuras como Bolsonaro, mas também nas microagressões cotidianas – do comércio que discrimina casais gays aos líderes políticos que desdenham do movimento negro.

O paradoxo brasileiro está em ter construído uma social-democracia tardia sem conseguir incluir simbolicamente todos os atores sociais. O fascismo contemporâneo surge como reação de quem se sente estrangeiro em seu próprio país, nostálgico de um passado que, mesmo opressor, lhe garantia lugar e liberdade de fala, ainda que homofóbica, racista ou sexista.

É nesse ponto que a leitura de Erich Fromm, ligado à Escola de Frankfurt e influenciado pela psicanálise freudiana e pelo marxismo, ajuda a iluminar o fenômeno. Em O Medo à Liberdade (1941), Fromm pergunta: “Se a liberdade é um valor tão desejado, por que tantos fogem dela em direção à submissão e ao autoritarismo?” Sua resposta está na ambivalência da modernidade: libertos das tradições, os indivíduos não conquistaram necessariamente a capacidade de agir criativamente, de transformar a liberdade “de” em liberdade “para”. O resultado é um vazio psíquico que gera angústia, insegurança e ressentimento – terreno fértil para a servidão voluntária e a submissão a autoridades fortes.

No Brasil, a gênese desse ressentimento é distinta: não decorre da crise do indivíduo burguês europeu do início do século XX, mas da irrupção de políticas de inclusão que desestabilizaram hierarquias naturalizadas por séculos. Em vez de uma liberdade solitária, o que emerge é uma sensação de perda relativa: a percepção de que outros, antes silenciados, passam a ocupar espaços que pareciam exclusivos. Contudo, a lógica subjacente é semelhante à descrita por Fromm: diante de mudanças sociais que desestabilizam certezas, muitos preferem o conforto da autoridade a enfrentar a angústia da pluralidade.

Assim, o fascismo brasileiro contemporâneo pode ser lido como um ressentimento duplamente ancorado: social, porque emerge da transição inacabada entre uma ordem excludente e uma democracia inclusiva; e psíquico, porque transforma a angústia da perda em desejo de hierarquia e obediência. A semelhança estrutural com o fascismo europeu está menos na origem das frustrações e mais na forma como o ressentimento se converte em adesão a projetos autoritários.

O desafio atual é, portanto, conciliar as políticas de reparação – inegociáveis em sua necessidade histórica – com um projeto cultural capaz de oferecer sentido simbólico a essa nova ordem social. Não se trata de ceder ao medo da modernidade, mas de elaborar narrativas que convertam a liberdade em potência criativa, em vez de em pânico moral. A transição brasileira permanece incompleta, e dela depende não apenas a inclusão material, mas também a construção de uma democracia que acolha, sem concessões autoritárias, os conflitos de um país plural.

*Adauto Damasio é Graduado e Mestre em História pela Unicamp, Pedagogo pela Uninter. Professor das redes públicas municipais de Valinhos e Campinas e do Colégio Alethus. Valinhense desde 1964.

TAGGED: Camara Municipal de Valinhos, Democracia, Fascismo, Pé de Figo, Polarização Política, Valinhos

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Heriberto Pozzuto 17 de agosto de 2025 17 de agosto de 2025
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