Brigadas populares e Fundação Florestal atuaram para conter as chamas; organizações cobram mais prevenção, fiscalização e investigação de possíveis ações criminosas.
A Estação Ecológica de Valinhos (ESEC) foi novamente palco de um incêndio de grandes proporções nesta quarta-feira, 10 de setembro. O fogo atingiu parte do pequeno fragmento de Mata Atlântica, de 16,94 hectares, localizado na Fazenda Remonta, na zona urbana de Valinhos.
A ação rápida da Brigada Popular Cachorro-do-Mato e da Fundação Florestal foi decisiva para evitar que o estrago fosse maior. Foram muitas horas de combate, com apoio da Brigada Florestal Serra dos Cocais, até que os focos e linhas de fogo fossem controlados. Apesar disso, ainda restaram braseiros ativos dentro de tocos em áreas isoladas.
“Podemos dizer que a missão foi cumprida e mais uma floresta, dentro do possível, não foi destruída, graças ao poder popular”, afirmou um dos brigadistas após o trabalho exaustivo.
A Brigada Florestal Serra dos Cocais está no local desde as 8h desta quinta-feira (11/09) para fazer o rescaldo da área atingida pelas chamas.
Criada em 1987, a Estação Ecológica de Valinhos é uma unidade de conservação de proteção integral. Sua função é preservar o ambiente natural, fomentar pesquisas científicas e promover programas de educação ambiental.
Suspeitas e mobilização
A recorrência de incêndios em áreas de mata de Valinhos tem gerado preocupação entre ambientalistas, que apontam a possibilidade de ações criminosas ligadas a interesses de expansão imobiliária. Entidades como a Brigada Cachorro-do-Mato, a Brigada Florestal Serra dos Cocais e o Instituto Serra dos Cocais têm intensificado sua mobilização e cobrado do poder público medidas concretas de prevenção, fiscalização e investigação das causas dos incêndios.
No ato de sua posse, em janeiro de 2025, o prefeito Franklin Duarte revogou a Diretriz 31/2023, editada pela ex-prefeita Capitã Lucimara, que permitia a implantação de um grande empreendimento imobiliário na Fazenda Remonta. A decisão foi anunciada como uma forma de conter o avanço da urbanização sobre áreas verdes e priorizar um crescimento ordenado e sustentável.
Para os defensores do meio ambiente, a preservação de áreas como a ESEC é vital para a regulação climática, a proteção dos recursos hídricos e o equilíbrio ecológico do município. “Cada incêndio representa uma perda difícil de recuperar. É preciso agir antes, não apenas apagar depois”, alertam os ambientalistas.
📌 Por que a Estação Ecológica de Valinhos é tão importante?
- Último refúgio verde – Com apenas 16,94 hectares, a ESEC é um dos últimos fragmentos de Mata Atlântica preservados em área urbana de Valinhos.
- Biodiversidade ameaçada – Abriga espécies nativas de fauna e flora, algumas em risco de extinção, e serve como corredor ecológico para animais que se deslocam entre as áreas verdes da região.
- Regulação climática – Atua na manutenção da umidade do ar, ajuda a reduzir a temperatura urbana e contribui para a absorção de CO₂.
- Proteção dos recursos hídricos – A vegetação preservada auxilia na infiltração da água da chuva, alimentando o lençol freático e reduzindo o risco de enchentes.
- Função educativa – Desde sua criação, em 1987, a ESEC serve como espaço para pesquisas científicas e programas de educação ambiental.
- Histórico de incêndios – Nos últimos anos, a unidade tem sofrido com incêndios recorrentes, que ameaçam o equilíbrio do ecossistema e dificultam a regeneração da vegetação.


