Especialistas chamam proposta de “corte disfarçado” e apontam risco de caos na educação especial.
A proposta apresentada pela Secretaria de Educação de Valinhos para vigorar a partir de 2026 tem causado forte reação entre profissionais e representantes do setor. O plano prevê reduzir o número de alunos por sala no Infantil I e II e nos 1º e 2º anos do Fundamental I, mas permite que, do 3º ao 9º ano, as turmas cheguem a até 33 estudantes. A medida foi exposta pelo Secretário de Educação em reunião do Conselho Municipal de Educação.
Segundo o secretário André Amaral, a medida busca “melhorar a alfabetização” e “racionalizar recursos públicos”. Para especialistas da rede municipal, porém, trata-se de um corte disfarçado: enquanto as primeiras séries têm algum alívio, a maioria dos alunos passará a enfrentar salas ainda mais lotadas, comprometendo a aprendizagem e aprofundando a precarização da rede pública.
A presidente do Conselho Municipal de Educação (CME), Ionara Veiga Barbosa, afirmou que o colegiado recebeu a proposta “com surpresa”. Ela destacou que, na reunião de 26/09, não foram apresentados respaldos técnicos, econômicos ou pedagógicos que sustentem a medida. Para Ionara, “o Conselho considera a proposta extremamente preocupante, pois precariza o ensino e contraria a qualidade almejada para a educação pública, expressa no Novo Plano Nacional de Educação, ainda em tramitação”. Segundo ela, na reunião ordinária do dia 26/09 “não foram apresentados respaldos técnicos, econômicos ou pedagógicos que sustentem a proposta.
O professor de História Adauto Damásio também fez duras críticas. Ele alerta para o impacto na educação especial:
“Em meio a um mar de alunos espremidos numa sala de aula, não há malabarismo pedagógico que faça um aluno autista prestar atenção e aprender. As mães atípicas devem se preparar para o caos”, disse.
Para Damásio, a medida representa “uma gigantesca gambiarra educacional, típica de gestores amadores que nada entendem de educação”.
Especialistas lembram ainda que a alfabetização não se encerra no 2º ano: ela se consolida no 3º e segue nos anos seguintes. A superlotação justamente nessa fase tende a reduzir a atenção individualizada e prejudicar seriamente o desenvolvimento escolar, em contradição com pesquisas e diretrizes nacionais que defendem turmas menores em todas as etapas.
O CME aguarda a apresentação oficial da minuta da proposta para análise e emissão de parecer.


