Audiência Pública realizada na Unicamp revela divergências entre brigadistas voluntários e poder público sobre políticas de prevenção e combate a incêndios.
A Frente Parlamentar Ambientalista em Defesa das Águas e do Saneamento e a deputada estadual Marina Helou (Rede) promoveram, nesta quinta-feira (30/10), no auditório da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, a audiência pública “Fogo, Clima e Floresta: a urgência de uma resposta integrada em São Paulo”, para debater a necessidade de articulação entre agentes públicos e civis no enfrentamento aos incêndios florestais no Estado. O encontro contou com a presença da vereadora vinhedense Nayla de Souza (Rede) e de representantes da Brigada Florestal Serra dos Cocais, que atua na região de Valinhos, Vinhedo, Louveira e Itatiba.
Durante as discussões, foi destacada a importância da integração entre órgãos estaduais, municipais e entidades civis no combate e na prevenção aos incêndios — um esforço que, segundo alguns debatedores, já apresenta resultados positivos com a redução dos focos de queimadas em 2025. A deputada Marina Helou ressaltou a necessidade de criação de protocolos de proteção à população e de estratégias permanentes de adaptação às mudanças climáticas.
No entanto, a segunda parte da audiência evidenciou divergências entre o poder público e as brigadas voluntárias. Os representantes das brigadas florestais relataram falta de espaço nas articulações oficiais e criticaram a tentativa de subordinação das equipes civis ao comando estatal, apontando que o trabalho voluntário tem sido, muitas vezes, invisibilizado.
Os brigadistas também defenderam a atualização da Lei do MIF (Manejo Integrado do Fogo), com o objetivo de garantir segurança jurídica às brigadas que atuam sem vínculo direto com o Estado. Fabio Cerqueira, representante da Brigada Serra dos Cocais, destacou ainda a urgência na aprovação do Projeto de Lei que cria a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra dos Cocais, abrangendo os municípios de Valinhos, Vinhedo, Louveira e Itatiba. Segundo ele, o reconhecimento formal da APA fortaleceria as ações de prevenção e conservação da região, considerada um dos principais redutos de biodiversidade do interior paulista.


