Plano Nacional de Arborização Urbana, lançado na COP30, propõe aumentar a cobertura vegetal nas cidades brasileiras. Em Valinhos, o desafio inclui conter as podas, os cortes e o avanço desordenado dos empreendimentos imobiliários.
O Brasil deu um passo importante na política ambiental urbana com o lançamento do Plano Nacional de Arborização Urbana (Planau), anunciado nesta quinta-feira (13) pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), durante a COP30, em Belém. O plano visa aumentar a cobertura vegetal nas cidades brasileiras, hoje considerada muito abaixo do ideal.
De acordo com o MapBiomas (2024), apenas 28,2% das áreas urbanas do país têm cobertura verde adequada. O Planau busca elevar para 65% a população que vive em ruas com pelo menos três árvores e ampliar em 360 mil hectares as áreas verdes urbanas. A proposta também cria corredores ecológicos entre cidades e bairros, conectando fragmentos de vegetação e fortalecendo a resiliência climática.
“A árvore não é apenas um elemento acessório da cidade. É um elemento essencial que carrega o princípio da resiliência climática”, afirmou Maurício Guerra, diretor do Departamento de Meio Ambiente Urbano do MMA.
Enquanto o Brasil anuncia um plano para plantar mais árvores, muitos municípios ainda insistem em cortá-las. Em Valinhos, as podas drásticas e supressões seguem ocorrendo sob o argumento da prevenção de quedas, o que é legítimo mas, na prática, tem se traduzido em remoções excessivas e pouco transparentes. Falta publicidade nos atos, justificativas técnicas acessíveis à população e medidas compensatórias visíveis.
Além disso, a expansão imobiliária acelerada, com o surgimento de novos empreendimentos em praticamente todas as regiões da cidade, tem provocado a substituição de áreas verdes por concreto e asfalto. O crescimento urbano, quando não planejado, elimina corredores ecológicos, reduz a infiltração de água e aumenta a temperatura local, agravando o que o Planau tenta justamente combater.
É hora de os municípios compreenderem que arborização urbana não é ornamento, é infraestrutura vital, tão importante quanto o asfalto, a rede elétrica ou o saneamento. Cada árvore cortada sem estudo e compensação significa perda de sombra, de biodiversidade e de qualidade de vida.
O Planau, lançado na COP30, oferece um norte: planejamento, transparência e compromisso ambiental. Cabe a Valinhos, e a tantas cidades médias brasileiras, conciliar o direito de crescer com o dever de preservar, garantindo que o verde urbano não seja vítima do progresso, mas parte essencial dele.

