O fotógrafo valinhense Diogo Rossi, conhecido por suas imagens sensíveis da natureza local, fez mais um registro especial nesta semana. Desta vez, flagrou uma corujinha-do-mato pousada, em perfeita pose, com um olhar que parece oscilar entre o exibicionismo e a desconfiança, expressão típica de quem observa o mundo com cautela, mas também com curiosidade.
A corujinha-do-mato é uma das espécies mais discretas e fascinantes da avifauna brasileira. Mede cerca de 22,6 cm, possui envergadura de 54 cm e pesa entre 97 e 134 gramas. Seu peito cinza com rajados escuros e listras finas, combinado à íris amarela intensa, cria uma camuflagem perfeita para o ambiente crepuscular onde costuma viver.
Com distribuição que vai da Costa Rica até a Argentina, incluindo todo o Brasil, essa coruja prefere capoeiras, bordas de mata seca ou úmida, parques urbanos e áreas rurais, evitando apenas florestas muito densas. Por isso, é uma presença relativamente comum em cidades e fazendas, embora raramente vista com clareza pelos moradores.
Predadora ágil e silenciosa, ela caça principalmente grandes insetos, como mariposas e gafanhotos, muitas vezes próximos a postes de luz, onde esses insetos se concentram. Também se alimenta, ocasionalmente, de pequenos vertebrados, como camundongos e rãs, contribuindo para o equilíbrio ecológico das áreas onde vive.
Entre janeiro e julho, inicia a temporada reprodutiva. Deposita seus ovos em cavidades seguras: ocos de árvores, buracos de pica-paus, cupinzeiros, frestas de construções e até telhados de casas abandonadas. Em raros casos, improvisa ninhos em formato de cesta sobre galhos.
O registro feito por Diogo Rossi revela essa pequena guardiã noturna em toda a sua beleza, e nos lembra que, mesmo em meio à vida urbana, Valinhos segue sendo casa para uma biodiversidade rica, sensível e surpreendente.

