Durante as férias escolares, um movimento antigo volta a ganhar força em muitos bairros de Valinhos: crianças ocupando as ruas para brincar.
Bola, bicicleta, pega-pega, risadas altas e tardes que parecem mais longas.
Para muitos adultos, essa cena desperta memória afetiva, para outros as crianças (suas necessidades) são invisíveis.
Antigamente, a rua também era espaço de convivência, cuidado coletivo e infância viva.
Mas o contexto mudou.
Hoje, nem todo bairro de Valinhos conta com praças públicas, parques ou espaços seguros para brincar.
O brincar é fundamental para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social das crianças.
É por meio das brincadeiras que elas aprendem a conviver, a lidar com limites, frustrações e a criar vínculos.
A ausência de políticas públicas de lazer empurra as crianças para o asfalto.
E o asfalto, cada vez mais, é tratado apenas como território dos carros.
É nesse cenário que o pedido precisa ser claro: desacelere.
Desacelerar não é gentileza, é responsabilidade social.
Em bairros residenciais, a prioridade deve ser a vida, não a pressa.
Crianças não são obstáculos; são sujeitos de direitos.
A gestão pública precisa assumir sua parte. Faltam investimentos em áreas de lazer, urbanismo humanizado e segurança viária.
Não basta cobrar cuidado das famílias se o poder público ignora a infância no planejamento da cidade e em Valinhos, crianças e adolescentes não são prioridade absoluta como preconiza a lei.
Ao mesmo tempo, a sociedade também precisa reaprender.
A rua não é só rota de passagem, é espaço de convivência.
Quem dirige precisa entender: férias escolares mudam a dinâmica dos bairros.
Resgatar a ideia de que “a rua também era das crianças” não é nostalgia vazia.
É um chamado para cuidar do presente. Porque uma cidade que protege suas crianças é, no fim, uma cidade melhor para todos.



