Sessão na Câmara de Valinhos tem protesto de mães por falta de cuidadores e ataques a acampados do Marielle Vive, elevando tensão no plenário
A sessão da Câmara Municipal de Valinhos, realizada nesta terça-feira (10), foi marcada por tensão e interrupções no plenário. Protestos de mães de alunos da rede municipal e embates políticos acirrados transformaram a noite em um retrato do clima polarizado que atravessa o município.
O plenário já estava sob tensão quando mães atípicas interromperam o Pequeno Expediente para cobrar a falta de cuidadores nas escolas da rede municipal. Com cartazes como “Educação não é gasto, é investimento”, mães, familiares e crianças reagiram com vaias enquanto vereadores exaltavam a gestão. “O município não está cumprindo seu papel constitucional de assegurar educação inclusiva”, gritou uma das mães ao se aproximar da bancada. Diante da pressão, o presidente da Mesa, Israel Scupenaro (PL), optou por não insistir no pedido de silêncio.

Mas foi na pauta sobre o acampamento Marielle Vive que a sessão ultrapassou o limite do confronto político para mergulhar na agressividade verbal. Ao subir à tribuna, o vereador Gabriel Bueno (MDB) classificou os acampados como “terroristas” e “vagabundos”. Não se tratou de discordância sobre política pública e reforma agrária. Foi um discurso que desumaniza, que transforma pessoas em inimigos e que reduz o debate a ataques pessoais.
A reação foi imediata. Apoiadores do MST levantaram o cartaz “MST AQUI SIM” e responderam com vaias. Outro cartaz, “Por um cadastro de vereador inútil”, ironizou o projeto apresentado por Rafa Marques (PL), que propõe a criação de um cadastro municipal de “invasores de terra”.
O problema central não é a existência de posições divergentes — isso é próprio da democracia. O problema é quando o discurso institucional legitima termos que associam trabalhadores organizados à criminalidade e terrorismo sem decisão judicial que os sustente. A retórica de ódio não fortalece a ordem, não produz solução e não eleva o nível do debate. Apenas aprofunda divisões e naturaliza a hostilidade como método político.
A sessão evidenciou duas pautas distintas que hoje mobilizam a cidade — a educação inclusiva na rede municipal e o debate sobre a ocupação de terras — e escancarou o grau de tensão que essas discussões vêm provocando nas redes sociais.

