Com recorde de feminicídios, país chega ao Dia Internacional da Mulher diante de uma realidade que exige ação urgente da sociedade e do poder público.
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, nasceu da luta por direitos, dignidade e igualdade. Mais de um século depois, a data ainda carrega um sentido urgente no Brasil: lembrar que, enquanto flores e homenagens circulam, muitas mulheres continuam vivendo sob ameaça. Em 2025, o país registrou 1.568 vítimas de feminicídio — o maior número já contabilizado. São quatro mulheres assassinadas por dia, mortas simplesmente por serem mulheres.
Por trás das estatísticas existem histórias interrompidas. Mães, filhas, companheiras, amigas. Mulheres que tinham sonhos, trabalho, projetos e afetos. Em muitos casos, os crimes acontecem dentro de casa, praticados por homens que um dia disseram amar. A violência doméstica segue sendo uma das faces mais cruéis da desigualdade de gênero no país.
O feminicídio é o ponto final de uma escalada de agressões que quase sempre começa muito antes: com o controle, o ciúme obsessivo, a humilhação, a ameaça, a agressão física. Combater esse ciclo exige mais do que indignação momentânea. Exige políticas públicas eficazes, redes de proteção funcionando, responsabilização dos agressores e, sobretudo, uma mudança profunda na cultura que ainda naturaliza a violência contra mulheres.
Neste 8 de Março, a homenagem mais sincera que a sociedade pode prestar às mulheres brasileiras é transformar a indignação em ação. Não basta lembrar das vítimas, é preciso impedir que novas vítimas apareçam. Que cada denúncia seja acolhida, cada pedido de socorro seja ouvido e cada agressor seja responsabilizado.
Porque nenhuma mulher deveria viver com medo.
E nenhuma vida a mais pode ser perdida.

