Seminário no Marielle Vive coloca violência contra mulheres do campo no centro do debate.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, esteve em Valinhos nesta sexta-feira (20) para participar do Seminário Mulheres do Campo e Reforma Agrária, realizado no acampamento Marielle Vive, na região da Serra dos Cocais.
O encontro reuniu mulheres e lideranças com o objetivo de debater o enfrentamento à violência contra as mulheres no contexto rural, ampliando o olhar para as especificidades do campo e propondo ações que fortaleçam a autonomia feminina nos territórios.
Segundo os organizadores, o seminário também tem um papel estratégico ao associar o debate sobre violência à pauta da reforma agrária, defendida como um caminho possível para garantir dignidade, segurança e condições de vida mais justas para as mulheres que vivem da terra.





Fotos: Antonio Bufalo
Durante a atividade, a ministra destacou o papel histórico dos movimentos sociais no campo e fez uma defesa enfática da reforma agrária como instrumento de transformação social.
“É um orgulho ver que o MST fez escola: nos ensina a produzir, comercializar e garantir segurança alimentar, contribuindo para tirar o Brasil do mapa da fome. Entre 2016 e 2022, perdemos tempo precioso para avançar na reforma agrária, mas não há dúvida de que o MST segue fazendo a diferença na economia, no uso e no acesso à terra — e é este projeto que queremos”, afirmou.
A atividade foi marcada por reflexões sobre a necessidade de políticas públicas que considerem as realidades do campo, onde o acesso a direitos, proteção e serviços muitas vezes é mais limitado. Nesse cenário, a organização coletiva e o fortalecimento das mulheres aparecem como elementos centrais para enfrentar desigualdades históricas.
Além do debate, o encontro também projetou o futuro do próprio acampamento Marielle Vive. A proposta em construção é a de um assentamento modelo, com base em princípios da agroecologia, produção de alimentos saudáveis e emancipação social, tendo as mulheres como protagonistas.
Para os participantes, o momento é decisivo para pensar os próximos passos do território, articulando luta social, produção sustentável e construção de novas formas de viver e produzir no campo.
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