Proposta sobre queimadas na Serra dos Cocais segue parada em comissão presidida por colega homenageado na tribuna
A sessão da Câmara Municipal de Valinhos desta terça-feira (7) teve um momento que misturou humor, constrangimento e cobrança política. Da tribuna, o vereador Marcelo Yoshida (PT) levou um bolo de aniversário — não para celebrar, mas para lembrar que um projeto de lei de sua autoria completou um ano parado na Comissão de Finanças e Orçamento.
O “parabéns” foi dirigido ao vereador Henrique Conti (Republicanos), presidente da comissão responsável por analisar a proposta, que segue sem parecer desde o início do ano passado. A cena arrancou risadas no plenário, mas deixou explícita a crítica: o projeto está há um ano sem avançar na tramitação.
A proposta em questão trata de um tema sensível para o município: a criação de um Programa de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios em Valinhos, com foco especial na Serra dos Cocais. Segundo o autor, o objetivo é estruturar ações de conscientização, prevenção e resposta diante de um cenário de incêndios recorrentes e impactos ambientais crescentes.
Na justificativa do projeto, Yoshida aponta que a Serra dos Cocais já teve cerca de 330 hectares atingidos por queimadas nos últimos anos, o equivalente a 463 campos de futebol. Além da destruição da biodiversidade, o texto alerta para riscos à segurança hídrica da região, já que a área é estratégica para a recarga de nascentes que alimentam rios como Atibaia, Capivari, Jaguari e Piracicaba.
O vereador também chama atenção para a pressão da especulação imobiliária sobre o território, que, segundo ele, agrava a vulnerabilidade ambiental da região. Diante disso, defende que o município adote políticas permanentes de prevenção e combate ao fogo, especialmente em um contexto de crise climática.
Apesar do tom bem-humorado da cobrança, o episódio expõe um problema recorrente no Legislativo: projetos que ficam parados em comissões, sem prazo claro para análise, acabam travando debates importantes para a cidade.
Entre risos e constrangimentos, o bolo servido na tribuna deixou um recado direto: há pautas urgentes esperando mais do que comemoração, esperando decisão.
