Compradores, empresa e corretores apresentam relatos divergentes em caso que pode envolver golpe imobiliário
O caso do loteamento Terras de Viena, situado no Bairro Roncáglia, em Valinhos, ganhou novos desdobramentos após a repercussão da matéria publicada pelo Pé de Figo. O que já era grave — um grupo de cerca de 40 pessoas esperando há quase duas décadas pela entrega de lotes — agora pode ser ainda maior.
Novos compradores procuraram a reportagem relatando situação semelhante: pagaram por terrenos que nunca foram entregues e seguem, há quase 20 anos, à espera de uma solução.
Representação criminial formaliza denúncia
Diante do impasse, 37 compradores formalizaram uma representação criminal, datada de 12 de novembro de 2025, subscrita pelo advogado Nivaldo Maciel de Souza e encaminhada ao delegado de polícia do município.
O documento aponta como alvos empresários e corretores de imóveis, incluindo José Caetano Cozzi e Paulo Alexandre Bizetto, além dos corretores Ismael Soares Gomes, Jair Soares Gomes e Valdir Scarassati.
Entre as acusações estão a possível comercialização irregular de lotes e a negociação de cotas em quantidade superior à capacidade real do empreendimento, o que, em tese, pode configurar crime conforme a legislação urbanística e até estelionato.
Empresa proprietária nega participação nas vendas
Procurada pela reportagem, a Roncaglia Empreendimentos Imobiliários Ltda., dona da área onde o loteamento seria implantado apresentou, através dos seus advogados, versão distinta.
Em documento encaminhado ao Pé de Figo, a empresa afirma que nunca realizou qualquer oferta ou comercialização de lotes vinculados ao empreendimento. Segundo a nota, todas as negociações teriam sido conduzidas por terceiros, sem autorização ou anuência da proprietária.
Ainda de acordo com a empresa, os contratos firmados nessas condições seriam nulos, por ausência de legitimidade e violação da legislação urbanística.
Corretores citados também se manifestam
Os corretores de imóveis, Ismael Soares Gomes e Jair Soares Gomes, mencionados na denúncia, também procuraram a reportagem para apresentar sua versão.
Eles afirmam que não venderam diretamente cotas do loteamento, atuando apenas na indicação de interessados ao empresário José Caetano Cozzi, que, segundo relatam, seria o responsável pela regularização e aprovação do empreendimento.
O terceiro corretor mencionado na representação, Valdir Scarassati, ainda não se manifestou.
Quase duas décadas de espera
Enquanto versões se confrontam, o que permanece é a situação dos compradores: famílias que investiram recursos na expectativa de adquirir um lote e que, passados quase 20 anos, ainda aguardam respostas.
O caso expõe uma realidade que vai além de um único empreendimento: a vulnerabilidade de consumidores diante de negociações imobiliárias irregulares e a morosidade na resolução desses conflitos.
O que vem pela frente
A publicação da representação criminal na íntegra e a ampliação do número de relatos indicam que o caso pode ganhar novos desdobramentos judiciais e investigativos.
Enquanto isso, cresce a pressão para que autoridades avancem na apuração e apresentem respostas concretas às possíveis vítimas.
Veja a íntegra da representação criminal e a nota de esclarecimentos dos proprietários:















