Por Vitor Hugo Penedo
Instituído em 1972, durante a Conferência de Estocolmo, na Suécia, pela Assembleia das Nações Unidas, o Dia Mundial do Meio Ambiente tornou-se o marco em que movimentos e organizações reforçam a importância da preservação e a urgência de repensarmos a relação da humanidade com a natureza.
Hoje, 54 anos após essa instituição, mais do que uma mudança de postura, é urgente que os discursos se transformem em ações concretas de enfrentamento ao negacionismo climático, ao racismo ambiental e à devastação dos ecossistemas. Assistimos diariamente à derrubada de florestas, à poluição dos rios, mares e do ar, ao envenenamento dos alimentos e à produção em massa de ultraprocessados que geram insegurança alimentar, além dos maus-tratos aos animais. Diante disso, é necessário adotar uma postura de luta socioambiental que entenda a defesa da natureza também como uma luta de classes e contra a lógica do capital. A mudança climática é o aspecto mais perigoso da destruição ecológica: uma ameaça sem precedentes à vida, impulsionada por um modelo de produção baseado na superexploração dos recursos e no extrativismo desenfreado, que busca o lucro em detrimento da preservação e nos lança rumo ao colapso.
No caso específico do Brasil, que sofre as mazelas do descaso ambiental desde a sua colonização, é de extrema importância que ambientalistas e organizações da sociedade civil pressionem o poder público. São alarmantes os dados que apontam o Brasil como o quarto país que mais mata ativistas ambientais no mundo. São públicos e notórios os retrocessos legislativos que, em vez de proteger o patrimônio natural, abrem caminho para a destruição, como o avanço do chamado “PL da Devastação”, as propostas de autolicenciamento ambiental, a pressão por perfurações na foz do Rio Amazonas, a entrega de reservas de terras raras e a conivência com o garimpo ilegal em terras indígenas. Projetos que defendem apenas os interesses de uma minoria rica.
Os eventos climáticos avançam com efeitos devastadores, e a conta mais alta é cobrada de uma parcela específica da sociedade, historicamente relegada à própria sorte. Povos indígenas, comunidades tradicionais e a população preta e periférica são os que mais sofrem com políticas que priorizam a classe economicamente dominante.
Por isso, o ambientalismo brasileiro precisa, obrigatoriamente, tratar as questões socioambientais sem desconectá-las da luta de classes. O povo trabalhador, submetido a jornadas degradantes e sem tempo ou recursos para fazer esse enfrentamento no cotidiano, precisa se sentir representado. O movimento não pode se prender ao academicismo ou a uma luta setorizada. Como bem disse Chico Mendes, um dos maiores líderes da nossa história, assassinado por defender a floresta e o povo dos seringais: “Ecologia sem luta de classes é jardinagem”.
A justiça ambiental só se faz colocando a questão social no centro do debate. Nós somos o meio ambiente, não estamos separados dele. Portanto, a defesa da natureza é, indissociavelmente, a defesa dos direitos humanos e da cidadania plena.
Que em breve essa data seja uma data de celebração à natureza, ao meio ambiente sadio e equilibrado para todos; em que todos tenham acesso e contato com aquilo que nos mantém vivos; que avancemos em vitórias e conquistas de direitos que defendam, de fato, uma Ecologia que leve em consideração o planeta em sua totalidade. Esse avanço depende de muita luta e determinação da sociedade e, principalmente, daqueles que têm em suas mãos o poder de mudar as coisas. Que nossa luta e enfrentamento sejam firmes e que os que degradam o meio ambiente sofram as punições devidas, e que busquemos, com ímpeto, mudar o destino da Terra. Por uma sociedade mais justa e igualitária, nos posicionamos como bravos guerreiros na preservação da vida.


