𝗣𝗿𝗼𝗷𝗲𝘁𝗼 𝗱𝗼 𝘃𝗲𝗿𝗲𝗮𝗱𝗼𝗿 𝗣𝗼𝗽𝗼́ 𝗱𝗲𝗰𝗹𝗮𝗿𝗮 𝗮́𝗿𝗲𝗮 𝗱𝗲 𝗿𝗲𝗹𝗲𝘃𝗮𝗻𝘁𝗲 𝘃𝗮𝗹𝗼𝗿 𝗵𝗶𝘀𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗰𝗼, 𝗰𝘂𝗹𝘁𝘂𝗿𝗮𝗹, 𝗽𝗮𝗶𝘀𝗮𝗴𝗶́𝘀𝘁𝗶𝗰𝗼 𝗲 𝗮𝗺𝗯𝗶𝗲𝗻𝘁𝗮𝗹, 𝗲𝗻𝗾𝘂𝗮𝗻𝘁𝗼 𝗖𝗼𝗻𝘀𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗱𝗲 𝗠𝗲𝗶𝗼 𝗔𝗺𝗯𝗶𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗽𝗿𝗲𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗺𝗼𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗰𝗼𝗯𝗿𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗽𝗿𝗼𝘃𝗶𝗱𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮𝘀 𝗱𝗮 𝗣𝗿𝗲𝗳𝗲𝗶𝘁𝘂𝗿𝗮.
A repercussão do anúncio do leilão da Fazenda Remonta, uma das mais importantes áreas verdes de Valinhos, já provoca reações no município. O vereador Rodrigo Fagnani Popó (Republicanos) protocolou o Projeto de Lei nº 150/2026, que declara de relevante valor histórico, cultural, paisagístico e ambiental a Gleba B da antiga Coudelaria de Campinas, conhecida popularmente como Fazenda Remonta.
A iniciativa surge poucos dias após a Fundação Habitacional do Exército (FHE) oficializar, por meio do Edital de Licitação nº 91060/2026, a venda da área de mais de 1,6 milhão de metros quadrados situada na divisa entre Valinhos e Campinas. O leilão está marcado para o dia 1º de julho, com lance mínimo de R$ 90 milhões.
Na justificativa do projeto, Popó sustenta que a proposta não representa uma medida isolada de preservação, mas um compromisso com a identidade histórica e a sustentabilidade socioambiental do município. Segundo ele, a Fazenda Remonta possui valor histórico por sua ligação com a antiga Coudelaria de Campinas, fundada em 1938, que desempenhou papel relevante na criação e fornecimento de equinos para o Exército Brasileiro, incluindo unidades tradicionais como os Dragões da Independência.
O vereador destaca ainda o valor cultural do local, associado à memória militar e rural da região, além da importância paisagística da área, que funciona como um verdadeiro cinturão verde entre Valinhos e Campinas. A preservação desse espaço, argumenta, ajuda a impedir a conurbação — processo em que cidades vizinhas acabam se unindo por meio da ocupação urbana contínua — preservando a paisagem e evitando a expansão desordenada.
Do ponto de vista ambiental, o projeto ressalta que cerca de 41,5% da área é coberta por Mata Atlântica original, abrigando espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção. A fazenda também desempenha funções ecológicas consideradas estratégicas, como a drenagem da bacia do Córrego Invernada e a recarga de aquíferos, contribuindo para a segurança hídrica do município.
A proposta encontra respaldo em decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, que, ao julgar constitucional a Lei Municipal nº 6.207/2022 — conhecida como “Lei da Lagoa da Rigesa” — reconheceu a legitimidade do Poder Legislativo para declarar o interesse cultural e ambiental de imóveis, sem invadir competências do Poder Executivo.
Na prática, o projeto pretende criar uma proteção provisória para a área até que estudos técnicos mais aprofundados possam subsidiar eventual tombamento definitivo por parte dos órgãos competentes.
A mobilização, porém, não se restringe ao Legislativo. O Conselho Municipal do Meio Ambiente (CMMA) convocou uma reunião extraordinária para o próximo dia 17 de junho, às 8h30, para discutir uma Moção de Apelo ao prefeito Franklin Duarte de Lima (PL), solicitando providências destinadas a assegurar a preservação ambiental da Fazenda Remonta.
A reunião será aberta à participação popular e ocorre em um momento em que cresce a preocupação de moradores, ambientalistas e especialistas com o futuro da área. O receio é que a venda da propriedade possa abrir caminho para empreendimentos imobiliários em uma região considerada ambientalmente sensível.
Em janeiro de 2025, um dos primeiros atos do prefeito Franklin foi justamente suspender, por decreto, as diretrizes urbanísticas que permitiriam a implantação de um loteamento na área. À época, o governo municipal alegou a necessidade de aprofundar estudos ambientais e hídricos antes de qualquer decisão sobre seu uso futuro.
Agora, diante da iminência do leilão, defensores da preservação afirmam que a discussão ultrapassa os limites de uma simples negociação patrimonial. O que está em jogo, dizem, é o destino de uma das últimas grandes áreas verdes capazes de conter a expansão urbana contínua entre Valinhos e Campinas, preservar a biodiversidade e garantir serviços ambientais essenciais para as futuras gerações.
Confira a íntegra do Projeto de Lei 150/2026:






