Inspirado livremente no romance de Aline Bei, espetáculo do hibri.duo mergulha nas memórias, afetos, ausências e na busca por pertencimento; apresentações serão neste sábado (3), às 16h e 19h30
Há casas onde moramos, mas nas quais nem sempre conseguimos nos sentir em casa.
É dessa contradição, tão simples quanto dolorosa, que nasce “Uma Porta Sem Casa”, espetáculo do hibri.duo que volta a ser apresentado em Valinhos neste sábado, 3 de outubro. Serão duas sessões, às 16h e às 19h30, no hibri.studio, no Centro.
Em cena, Lívia Porto, intérprete-criadora, e a musicista Pansy unem dança, música, teatro e literatura para falar de identidade, memória, relações familiares e da necessidade humana de encontrar um lugar de pertencimento.
Livremente inspirada no romance “Pequena coreografia do adeus”, da escritora Aline Bei, a montagem acompanha a trajetória de Júlia Manjuba Terra, personagem que atravessa diferentes momentos da vida tentando compreender quem é e de que maneira as relações familiares ajudaram a construir , e também a ferir, sua história.
Júlia cresce em um ambiente marcado por conflitos e pela falta de afeto. Entre lembranças da infância e da adolescência e projeções sobre o futuro, revisita experiências, confronta a solidão e tenta construir sua própria narrativa.
Mas essa história nunca chega exatamente da mesma maneira ao público.
O improviso é parte essencial do espetáculo. Corpo e música se escutam e respondem um ao outro durante a apresentação, fazendo com que cada sessão carregue algo de único e imprevisível.
Pansy não está em cena simplesmente para criar a trilha sonora dos movimentos de Lívia. Música e dança dividem o protagonismo: um gesto pode provocar um som e um som pode transformar o movimento seguinte. Dessa relação nasce parte da dramaturgia.
No fundo, “Uma Porta Sem Casa” fala sobre algo que ultrapassa a história de sua personagem: a procura por um lugar onde seja possível pertencer.
Ou, como propõe o próprio espetáculo, uma obra para quem procura uma casa dentro de casa, especialmente para quem a procura desesperadamente.
Um duo que nasceu em Valinhos
O hibri.duo foi criado em Valinhos, em 2020, pela pesquisadora das artes da cena Lívia Porto e pela musicista Pansy, a partir do desejo de investigar os encontros entre dança e música.
Desde então, a dupla passou a incorporar também elementos do teatro, da literatura e do audiovisual, tendo como características a improvisação, a escuta e a criação compartilhada.
Entre os trabalhos desenvolvidos estão as videodanças “Cativo” (2020) e “Colapso” (2021). Em 2025, o grupo ampliou sua pesquisa com “E se… a gente trocasse tudo de lugar?”, criado em parceria com outras duas artistas.
Em “Uma Porta Sem Casa”, é a literatura que abre a porta para a investigação artística. A partir dela, o hibri.duo procura aquilo que permanece no corpo depois das relações: as lembranças, os afetos, as ausências e as marcas.
SERVIÇO
Espetáculo: Uma Porta Sem Casa
Com: hibri.duo — Lívia Porto e Pansy
Data: sábado, 3 de outubro
Horários: 16h e 19h30
Duração: 50 minutos
Classificação: livre
Recomendação: jovens e adultos; indicado para crianças e adolescentes de 12 a 16 anos
Local: hibri.studio
Endereço: Rua Treze de Maio, 155, 1º andar, Sala 11 — Centro, Valinhos
Ingressos e informações: Sympla – Uma porta sem casa

