No dia 27 de agosto de 2021, o Pé de Figo publicou um relato contundente do então estudante de biologia, Fábio Motta, sobre o incêndio na Serra dos Cocais: “A pressão da especulação imobiliária em cima dessas áreas verdes, provavelmente é um dos fatores que dão início a essa série de incêndios, na sua maioria, criminosos. A perda da biodiversidade em consequência das queimadas em Valinhos é inestimável, e o preço está sendo pago com a morte de animais que hoje já estão sob o risco de extinção. O mesmo podemos dizer da flora nativa destes locais”.
Na ocasião, Fábio ainda nos informou que esteve nos locais onde ocorreram os incêndios para tentar resgatar animais, lamentando que já não restavam animais a serem socorridos. “Encontramos restos mortais de 16 lagartos Teiús, uma quantidade absurda de insetos polinizadores, uma carcaça de um cão não identificado e outras espécies”.

Passados três anos, Fábio, agora formado em biologia, voltou à Serra dos Cocais, transformada num cenário de terra arrasada, após vários dias de incêndio avassalador, acompanhado de uma equipe de voluntários, a fim de levar alimentos aos animais sobreviventes, e exclamou: “é triste, muito triste”.
Com o brilho do Sol ocultado pela densa fumaça, uma pergunta ecoa na cabeça da população valinhense: o que foi feito nesse período de três anos para reforçar a estrutura de prevenção de incêndios e combate às chamas?
Num ano eleitoral, é preciso cobrar explicações da prefeita e dos vereadores que aprovaram o novo Plano Diretor para autorizar o avanço da expansão urbana sobre a Zona Rural e a Serra dos Cocais, estimulando o ímpeto ambicioso da especulação imobiliária.
