Deslocar-se é necessidade básica, não privilégio. Redução do valor e isenção parcial são avanços, mas população ainda enfrenta barreiras no acesso à mobilidade durante a semana.
A Prefeitura de Valinhos deu um passo importante ao efetivar, a partir desta terça-feira (1º/07), a redução de R$ 1,00 no valor da passagem de ônibus — de R$ 4,70 para R$ 3,70 — e a implantação da tarifa zero nos fins de semana e feriados. A medida é um alívio financeiro para muitas famílias e um incentivo ao uso do transporte coletivo. No entanto, também abre espaço para uma pergunta legítima: por que não garantir tarifa zero em todos os dias da semana?
Mais do que uma comodidade, o transporte público é um direito indispensável. É ele que permite o acesso aos serviços de saúde, às escolas, aos empregos e aos espaços de lazer. Sem transporte acessível e eficiente, grande parte da população fica excluída do pleno exercício da cidadania.
Cidades como Maricá (RJ), Vargem Grande Paulista (SP) e Caucaia (CE) já adotaram a tarifa zero de forma permanente, demonstrando que é possível garantir a gratuidade com planejamento, subsídios adequados e vontade política. Quando o transporte é gratuito, ele deixa de ser uma barreira econômica e passa a ser uma ponte para a inclusão social, a dinamização da economia local e a redução das desigualdades.
Se já foi reconhecido que a tarifa zero nos fins de semana tem impacto positivo, por que não estender esse benefício a todos os dias? Afinal, é durante a semana que a maioria da população mais depende do transporte para trabalhar, estudar, buscar atendimento médico e exercer suas atividades diárias.
Ampliar a gratuidade exigiria uma reestruturação do financiamento do sistema — algo desafiador, mas viável. Diversos estudos mostram que o custo da tarifa zero pode ser compensado pelos benefícios sociais e ambientais que ela proporciona, como a redução de carros nas ruas, a melhoria da qualidade do ar e o aumento da mobilidade urbana para todos.
Portanto, a redução da tarifa e a gratuidade nos fins de semana são avanços. Mas talvez seja hora de dar um passo adiante: Valinhos pode e deve discutir a tarifa zero como política pública integral, porque mobilidade é um direito, não um privilégio.


