Recentemente, Valinhos ganhou destaque em um ranking nacional que a apontou como a cidade mais segura do Brasil, com base na taxa de assassinatos: 0,9 a cada 100 mil habitantes, segundo o Guia MySide, plataforma voltada ao setor imobiliário. A informação ainda repercute amplamente, sendo usada por alguns setores como forte argumento de valorização do município.
Sem dúvida, o baixo índice de homicídios é um ponto positivo e merece ser reconhecido. Mas é importante compreender os limites da estatística e ter cautela ao interpretar esse dado como um retrato absoluto da segurança pública.
O próprio anuário destaca que os dados devem ser considerados como referência orientativa, e não como conclusão definitiva sobre a segurança de uma cidade. Isso porque indicadores como furtos, roubos, invasões, violência patrimonial e sensação de insegurança da população também compõem o quadro real da segurança — e esses aspectos não foram contemplados no estudo.
Exemplo disso foi o furto ocorrido em uma escola do Parque Nova Suíça, pouco depois da divulgação do ranking. Empresários de regiões como Joapiranga, Vale Verde, Macuco e Chácara São Bento também vêm relatando recorrência de furtos em suas unidades, o que acende um sinal de alerta.
A valorização de Valinhos, inclusive por meio de seus bons indicadores, é legítima e desejável. Mas é igualmente importante que o debate público e as políticas de segurança sejam baseados em uma visão ampla, realista e transparente — para que avanços continuem acontecendo e os desafios não sejam ignorados.
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