Conselho de Patrimônio aprova inscrição da antiga Fazenda Santa Thereza da Serra no Livro do Tombo Municipal
Em uma decisão de grande relevância para a memória e a identidade de Valinhos, o Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural (CONDEPAV) aprovou, em 13 de outubro de 2025, a inscrição da Fazenda Candinho — antiga Fazenda Santa Thereza da Serra — no Livro do Tombo Municipal, que reúne os bens de interesse histórico e cultural do município.
A deliberação foi formalizada por meio da Resolução nº 03/2025, aprovada durante a 53ª Reunião Ordinária do Conselho, e reconhece o valor histórico, arquitetônico e social do imóvel localizado na Estrada do Jequitibá, Km 4, na região da Serra dos Cocais.
Patrimônio cultural e cinematográfico
Fundada na década de 1870, a antiga Fazenda Santa Thereza da Serra foi uma das grandes produtoras de café do período. Entre seus proprietários destacam-se Avelino Anthero de Oliveira Valente e, sobretudo, Cândido Ferreira da Silva Camargo, conhecido como “Candinho”, importante cafeicultor, político e filantropo cuja trajetória marcou a história econômica e social de Valinhos — e cujo apelido acabou batizando popularmente a fazenda.
O CONDEPAV também ressaltou a importância da propriedade como testemunho da história social do município. O local preserva ruínas da antiga senzala, uma das raras estruturas coloniais ainda existentes em Valinhos, que revelam o passado de trabalho forçado de pessoas negras escravizadas. Após a abolição, a fazenda recebeu imigrantes italianos, entre eles as famílias Trombetta e Tordin, que contribuíram para a diversidade cultural e o desenvolvimento da região.
Além de seu valor histórico, a Fazenda Candinho tem relevância cultural por ter servido de cenário para o filme “Lição Merecida” (1952), do cineasta valinhense Henrique de Oliveira Júnior — um registro raro do cotidiano rural e das paisagens da Serra dos Cocais no cinema paulista da época.
Em sua resolução, o CONDEPAV destacou que a inscrição da fazenda no Livro do Tombo é uma ação de salvaguarda da memória coletiva, que permite às novas gerações conhecer e compreender a complexidade do passado de Valinhos e do Brasil, honrando tanto o legado dos antigos proprietários quanto o trabalho e a resistência das populações negras e imigrantes que ajudaram a construir a cidade.


