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A Educação Pública brasileira é um sucesso. O fracasso é da sociedade!

2 de novembro de 2025 12 minutos de leitura
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Adauto Damasio*

A escola pública é um sucesso! Até mesmo em Valinhos!

É recorrente o discurso de que a educação pública brasileira é um fracasso. Esse discurso é repetido com convicção por quem jamais pisou em uma escola pública e se informa sobre o tema apenas por manchetes ou memes. Há, permanentemente, um discurso de pessoas idosas: “no meu tempo, a escola pública tinha qualidade, havia disciplina e professores eram respeitados”. Essas pessoas silenciam sobre o fato de que, nesse período, 50% das crianças e adolescentes não tinham acesso ao ensino fundamental.

Mas, ao contrário do senso comum, a educação pública brasileira é um imenso sucesso civilizatório. Até a educação pública municipal de Valinhos é um sucesso, com todas as suas limitações e gambiarras. O fracasso é da sociedade, que a despreza, que não valoriza o trabalho docente, que desconsidera a ciência e que, frequentemente, sabota as próprias instituições capazes de transformá-la.

Recentemente no Colégio Bento Quirino, em Campinas, encontrei um aluno que se formou em 2024 no Ensino Fundamental II (EFII) da EMEB Cecília Meireles. Recebi visitas de ex-alunos em minha sala de aula: uma aluna que está frequentando o Colégio Técnico da Unicamp (COTUCA), um aluno que concluiu o EFII fora da idade escolar, mas que hoje frequenta o Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e já trabalha, um aluno que está no Instituto Federal de Educação de Campinas, entre tantos outros, inclusive muitos que ingressaram em universidades públicas.

No plano nacional, o país conseguiu reduzir drasticamente o analfabetismo e universalizar o acesso à escola básica, um feito de dimensões históricas. Desde os anos 1980, o número de analfabetos caiu de mais de 25% para menos de 6%, resultado de políticas educacionais contínuas. A criação do FUNDEF, em 1996, e do FUNDEB, em 2007, consolidou o princípio da equidade na educação: redistribuir recursos entre municípios, garantir o pagamento dos professores e estruturar o sistema nacional de ensino.

Essa expansão do acesso veio acompanhada de ganhos concretos de aprendizagem, mensurados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Entre 2005 e 2019, o IDEB dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental saltou de 3,8 para 5,9, superando a meta projetada e revelando uma trajetória consistente de melhoria na qualidade do ensino. Cada década trouxe avanços concretos: expansão do acesso, melhoria da infraestrutura, ampliação do tempo escolar e inclusão de estudantes com necessidades especiais. As universidades públicas, maiores produtoras de conhecimento científico, investiram em políticas de inclusão por meio do sistema de cotas.

Claro, Valinhos é um caso de desleixo com a rede municipal de ensino. Assim, em 2025, temos problemas de alfabetização na idade certa em razão da irresponsabilidade de prefeitos que exerceram o poder nos últimos anos e que, de forma criminosa, permitiram que a Educação Infantil (EI) e o Fundamental I (EFI) tivessem apenas 3h40m de trabalho pedagógico. A atual gestão (2025) aumentou a carga horária do EI e EFI para 04h10m, o que continua sendo rigorosamente insuficiente.
Em Valinhos e em todo o país, chegamos a um ponto de inflexão: é preciso dar um novo salto de qualidade na aprendizagem escolar em um momento politicamente conturbado. Vários fatores dificultam esse salto de qualidade em Valinhos e no Brasil.

Em Valinhos, sem aumento da carga horária de trabalho pedagógico no EI, EFI e EFII para 05h diárias, não haverá inflexão significativa na aprendizagem escolar. Temos também problemas que perpassam a cultura. Nos últimos anos, a educação pública e os professores tornaram-se alvos preferenciais da extrema direita, que tenta desacreditar a escola pública e demonizar políticas de inclusão e diversidade. A retórica do “Estado inchado” e da “doutrinação ideológica” transformou a escola em campo de batalha cultural.

Para além disso, diante de precariedades sociais persistentes, para muitos, a escola deixou de ser espaço de desenvolvimento do raciocínio lógico e da aprendizagem das ciências, passando a ser vista apenas como um braço da assistência social, um lugar para acolher, alimentar e cuidar, mas não necessariamente para ensinar e aprender. A ciência perdeu espaço para o assistencialismo nas Secretarias de Educação. Recuperou-se, assim, um velho, ultrapassado e anacrônico entendimento da escola como espaço de cultura religiosa missionária cristã.

Tais distorções revelam outras falências: a sociedade brasileira não cumpre seu papel educativo. Espera-se que o professor resolva, sozinho, todos os problemas, inclusive aqueles que não são pedagógicos, mas familiares, econômicos e morais.

Um estudante analfabeto que vem de outro estado e é matriculado no 6º ano precisa de aulas de alfabetização no contraturno. Se ele precisa cuidar do irmão para a mãe trabalhar, é o poder público, e não a escola, que deve resolver isso por meio da Secretaria de Assistência Social. Muitas dessas famílias migram de outras cidades para Valinhos em busca de atividades de baixa remuneração. O crescimento urbano explosivo causa esses processos migratórios internos, barateando a mão de obra na construção civil e nos serviços domésticos para famílias que não desejam limpar seus próprios vasos sanitários. Essas elites são beneficiárias do analfabetismo desses jovens, pois tal realidade projeta mão de obra barata para seu uso futuro.

Ademais, outros fatores externos à escola precisam ser repensados. Pais e responsáveis que permitem que um adolescente frequente a escola sem o material didático que lhe foi entregue gratuitamente também precisam ser responsabilizados. Pais e responsáveis que permitem que jovens faltem às aulas por descuido, que não acompanham a vida escolar dos filhos, que fomentam o enfrentamento contra professores e que desconfiam da ciência porque ouviram, em um canal de “influencer”, que a Terra é plana, que não houve escravidão em Valinhos ou que os dinossauros não existiram precisam ser responsabilizados. Nenhum sistema educacional do mundo sobrevive quando a ignorância se torna orgulho e o conhecimento científico é tratado como ameaça. A ciência não é questão de opinião nem de julgamento por líderes religiosos.

A ausência de atitudes positivas de muitas famílias também decorre de um ambiente cultural de relativa permissividade comportamental que corroeu os fundamentos da responsabilidade e do esforço individual. Vivemos, felizmente, em uma sociedade de direitos, mas esquecemos que direitos implicam deveres. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garantiu direitos às crianças e adolescentes, um marco histórico inegociável na legislação e nos costumes, mas a cultura que se formou em torno dele passou a confundir proteção com complacência. Hoje, admite-se que crianças e adolescentes estejam matriculados, mas não estudem; frequentem a escola, mas não aprendam; desrespeitem professores e sejam tratados apenas como vítimas. A ideia de limites e de responsabilidade pessoal foi substituída por um discurso psicológico que tudo justifica. Muitos pedagogos e psicólogos, em nome da empatia, alguns do “amor” (!), acabaram esvaziando a autoridade pedagógica e transformando a escola em um espaço de indulgência, não de formação.
Nesse ponto, a reflexão de Émile Durkheim se torna fundamental. Para ele, a educação é o processo de socialização metódica das novas gerações, por meio do qual a sociedade transmite suas crenças, valores e regras morais.

Educar, portanto, não é apenas instruir: é inserir o indivíduo na coletividade, ensinar-lhe o que é permitido, o que é proibido e o que é justo. Da mesma forma, o suíço Philippe Perrenoud argumenta que ensinar é criar condições para que o aluno se torne autônomo, mas a autonomia não nasce do vazio, e sim da disciplina, do esforço e da convivência com a autoridade. Esses autores defendem o equilíbrio entre direitos e deveres, entre liberdade e responsabilidade.

Além disso, parte dessa sabotagem é deliberada. Grandes empresários ligados a escolas particulares, editoras e empresas de tecnologia lucram com os ataques à escola pública. Quanto mais o Estado é desmoralizado, mais se abre espaço para a privatização do ensino, para a venda de apostilas, plataformas e “soluções digitais” que transformam o aprendizado em mercadoria. Por trás do discurso de “inovação” e “modernização”, há um projeto de apropriação do dinheiro público, especialmente do FUNDEB. O marketing educacional privado, aliado à política neoliberal, tenta convencer a sociedade de que a escola pública não serve, para que, em seu lugar, floresça um mercado bilionário de serviços educacionais.

Enfim, afirmar que a educação pública brasileira é um fracasso é, na verdade, negar sua história de superação. Ela é o que há de mais próximo de um projeto nacional, um dos poucos espaços de convivência entre classes, etnias e culturas distintas. É na escola pública que o Brasil resiste à barbárie, que a ciência continua a ser ensinada e que os valores democráticos ainda sobrevivem.
A escola pública é um sucesso porque, apesar de tudo, continua de pé. Porque, em meio à desinformação, à desigualdade e à violência, ainda é capaz de ensinar, proteger e sonhar.

O fracasso é da sociedade que não valoriza o saber, que destrói o que tem de melhor e que culpa o professor por sua própria incapacidade de educar-se. O Brasil não precisa reinventar sua escola: precisa reconstruir sua sociedade para estar à altura dela.

Adauto Damasio é graduado e Mestre em História pela Unicamp, Pedagogo pela Uninter. Professor das redes públicas municipais de Valinhos e Campinas e do Colégio Alethus. Valinhense desde 1964.

TAGGED: Adauto Damasio, Educação Publica, professores, sala de aula, Sociedade

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Heriberto Pozzuto 2 de novembro de 2025 2 de novembro de 2025
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