“Quem nasce lá na Vila, nem sequer vacila ao abraçar o samba. Que faz dançar os galhos do arvoredo e faz a lua nascer mais cedo”. (Noel Rosa)
O Brasil inteiro celebra, em 2 de dezembro, uma das maiores expressões culturais do país: o Dia Nacional do Samba. E em Valinhos, a data ganha um brilho especial. Para marcar a ocasião, o tradicional Samba da Vila sobe ao palco do restaurante Colonial Massas, na Vila Santana, na próxima sexta-feira, 5 de dezembro, a partir das 19h. A casa promete entrar no clima: o primeiro chopp será por conta do Colonial, como convite à festa e à confraternização.
O Samba da Vila se apresenta no local há quase dois anos, sempre na primeira sexta-feira do mês, mantendo viva a já conhecida sexta-samba, que se tornou ponto de encontro para quem busca música ao vivo, alegria compartilhada e o ritmo pulsante que faz parte da alma brasileira.

Samba: raízes africanas, história brasileira
Muito além da música, o samba carrega histórias de resistência, ancestralidade e identidade. Trazido ao Brasil por pessoas negras escravizadas, o ritmo tomou forma nas rodas, nas comunidades, nos terreiros, nos quintais e nos encontros que celebravam a vida mesmo em meio à dor.
Surgiu como expressão coletiva, navegou séculos, atravessou preconceitos e, apesar da repressão, tornou-se um dos maiores símbolos culturais do país.
O Dia Nacional do Samba nasceu na Bahia, como homenagem à primeira visita do compositor Ary Barroso a Salvador, autor de clássicos como “Na Baixa do Sapateiro”. A ideia atravessou fronteiras e, hoje, o 2 de dezembro é comemorado em todo o Brasil como um tributo ao ritmo que uniu periferias, escolas de samba, morros, salões e gerações inteiras.
Um dos maiores testemunhos dessa resistência é o relato de Jorginho do Império, sambista com mais de 50 anos de trajetória. Ele lembra da repressão que sofria ainda criança, quando carregava seu primeiro pandeiro:
“Meu pai comprou um pandeiro para mim. Saí empolgado para desfilar no Carnaval, mas um soldado do Exército disse que eu não podia levar o instrumento e o prendeu. Eu perdi meu primeiro pandeiro ali. Era muita repressão, era complicado, não era fácil.”
Histórias como essa mostram que o samba, antes de ser música, foi coragem. Antes de ser festa, foi resistência. E antes de ser patrimônio nacional, foi voz.
Valinhos entra no ritmo da celebração com o Samba da Vila
No encontro desta sexta-feira, a proposta é unir tudo isso: cultura, memória, música e comunidade. O Samba da Vila promete uma noite cheia de clássicos, gingado e afeto — daquelas que aquecem o coração e reforçam o que o samba sempre ensinou: ninguém celebra sozinho.
E num espaço acolhedor como o Colonial Massas, que abraçou o projeto e o transformou em tradição, a data ganha ainda mais significado.
O samba segue vivo nas rodas, nas histórias, nos corpos que dançam, nos instrumentos que tocam, na energia que atravessa gerações. E em Valinhos, ele ecoa com força, lembrando que celebrar o samba é celebrar a própria história do Brasil.
Confira os membros do Samba da Vila:
Daniel Romanetto – Cavaquinho
Mi Mazzini – Voz e Violão
Vicente Montoya – Voz e pandeiro
Fabinho Musselli – Surdo
Mircio Signoretto – Reco-reco
Roger Bueno – Tamborim
Alan Oliveira – Repique de mão
Luana Marcussi – Voz e Pandeiro
Josiane e Cecília Montoya – Vozes

