Autarquização pode abrir caminho para privatização e precarização do atendimento, alertam sindicatos e estudantes
Funcionários do Hospital de Clínicas (HC) e de outros hospitais da Unicamp paralisaram suas atividades nesta terça-feira e se uniram a servidores da universidade, estudantes, movimentos sociais e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em um ato contra a proposta de autarquização do complexo de saúde da instituição.
A mobilização acontece no mesmo dia em que o Conselho Universitário (Consu) deve votar o projeto apresentado pela Reitoria da Unicamp, que prevê a transferência da gestão dos hospitais universitários para a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. A proposta tem gerado forte reação de trabalhadores e estudantes, que alertam para o risco de privatização, precarização do trabalho e perda da qualidade do atendimento, hoje reconhecido como referência nacional.
Os diretores do Sindicato dos Trabalhadores (STU) da Unicamp e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) alertam para o risco de privatização dos hospitais e precarização do atendimento, de referência nacional.
Segundo o diretor do STU, Fabio Cerqueira, “o projeto que será votado hoje não foi discutido com os principais impactados: trabalhadores e comunidade de usuários, e foi divulgado para os conselheiros universitários apenas no último sábado”.
Risco ao SUS e à missão da universidade
A proposta de autarquização é alvo de um abaixo-assinado virtual que circula entre trabalhadores, estudantes e usuários do SUS. O documento alerta que a mudança retiraria da Unicamp a gestão e o financiamento de um dos maiores complexos de saúde pública do país, responsável pelo atendimento de mais de 5 milhões de pessoas e pela formação de milhares de profissionais da área da saúde. ( Acesse e assine aqui: ABAIXO-ASSINADO CONTRA AUTARQUIZAÇÃO DO HC DA UNICAMP )
Embora a Reitoria argumente que a medida traria economia para a universidade, os críticos afirmam que não há garantias de que o governo estadual manterá os repasses no futuro. Além disso, o modelo de autarquia abre espaço para terceirizações e parcerias privadas, que historicamente resultam em instabilidade, redução de investimentos, piora no atendimento e, em alguns casos, escândalos envolvendo desvios de recursos.



Para os manifestantes, o problema central não é a falta de recursos, mas as escolhas orçamentárias do governo estadual. Eles denunciam que o governador Tarcísio de Freitas estaria há mais de dez meses sem realizar os repasses adequados à Unicamp, promovendo um processo de sucateamento gradual. “Primeiro se corta verba, depois se diz que a universidade não consegue se manter sozinha. A autarquização surge como solução, mas o que vem depois é a privatização”, aponta o texto do abaixo-assinado.
Defesa da Saúde Pública
Os trabalhadores e estudantes defendem que o complexo de saúde da Unicamp permaneça sob gestão da própria universidade, com mais investimentos públicos, valorização dos profissionais e fortalecimento do SUS. Para eles, a autarquização representa uma ameaça direta ao papel social da Unicamp e ao caráter público do atendimento prestado à população.
O ato desta terça-feira reforça que a disputa não é apenas administrativa, mas envolve o futuro da saúde pública, da universidade e do direito de milhões de pessoas a um atendimento gratuito, qualificado e universal.

