A Câmara Municipal de Valinhos aprovou, em sessão extraordinária realizada na manhã desta sexta-feira (23), um pacote de reajustes nos salários e benefícios dos servidores públicos municipais. A votação, porém, foi acompanhada de críticas do Sindicato e de dezenas de trabalhadores, que ocuparam o plenário para protestar contra a falta de diálogo com o Executivo, o índice aplicado ao reajuste salarial e o horário escolhido para a reunião.
O projeto, enviado pelo prefeito Franklin, prevê aumento de 2,38% no vencimento-base — sendo 1,38% de reposição inflacionária e 1% de ganho real — além de um aumento expressivo no vale-refeição. O benefício diário sobe de R$ 30,50 para R$ 45,50, o que pode representar cerca de R$ 1 mil por mês, conforme os dias trabalhados. Também foi aprovado reajuste inflacionário de 1,38% nos auxílios saúde e alimentação.
Representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Valinhos e servidores de diferentes áreas compareceram à sessão e manifestaram repúdio à condução do processo. Um dos principais alvos de crítica foi o horário da reunião — marcada para uma sexta-feira, às 10h da manhã — o que, segundo os trabalhadores, dificultou a participação de quem estava em horário de expediente.
Além disso, o Sindicato denunciou a ausência de negociação prévia com a categoria. Segundo os servidores, não houve mesa de diálogo para discutir o índice de reajuste, o que gerou insatisfação principalmente em relação ao percentual aplicado ao salário-base, considerado insuficiente diante das perdas acumuladas nos últimos anos.
O projeto aprovado também reconhece perdas provocadas pela suspensão da contagem de tempo durante a pandemia da Covid-19, período em que ficaram congelados benefícios como anuênios, sexta-parte e licença-prêmio. A proposta admite a existência dessa dívida e estabelece que os valores serão pagos em 12 parcelas mensais, com início previsto para julho de 2026, conforme cronograma definido em lei.
A matéria foi aprovada com um voto contrário. O vereador Marcelo Yoshida criticou tanto a falta de diálogo com os servidores quanto a opção por concentrar o ganho no vale-refeição. Em plenário, ele alertou que o aumento do benefício não se incorpora a direitos como férias, 13º salário e aposentadoria, o que pode manter perdas estruturais no salário do funcionalismo.
Com a aprovação, o projeto segue agora para sanção do prefeito. Já os servidores e o Sindicato afirmam que o debate está longe de encerrado e cobram abertura de diálogo para discutir uma política salarial mais duradoura e transparente.
O que foi aprovado
- Reajuste de 2,38% no vencimento-base.
- Vale-refeição passa de R$ 30,50 para R$ 45,50 por dia.
- Reposição inflacionária nos auxílios saúde e alimentação.
- Pagamento em 12 parcelas de direitos congelados na pandemia a partir de julho de 2026.
O que os servidores criticam
- Falta de negociação com o Executivo.
- Índice considerado insuficiente no salário-base.
- Sessão realizada em horário que dificultou participação.
- Ganho concentrado em benefício que não incorpora outros direitos.







