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Atacar o MST é desviar o debate dos problemas reais de Valinhos. Quem ganha com isso?

9 de fevereiro de 2026 7 minutos de leitura
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Por Claydiney Generoso*

A tentativa do prefeito Franklin (PL) de Valinhos de criminalizar e expulsar o MST da cidade não é apenas um ataque a um movimento social. É um ataque direto ao trabalho, à dignidade humana e à própria democracia.

Também revela uma profunda incompreensão — ou recusa — em enfrentar o papel central da Reforma Agrária no combate às desigualdades históricas do Brasil.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra existe porque existe concentração fundiária, fome, desigualdade e exclusão. O MST não surge do “radicalismo”, como tentam rotular seus críticos, mas da ausência de políticas públicas estruturantes.

A Reforma Agrária segue sendo uma dívida histórica do Estado brasileiro com o povo trabalhador do campo e da cidade. Atacar o MST é desviar o foco do problema real. A terra segue concentrada, muitas vezes improdutiva, sem cumprir sua função social e seu papel na segurança alimentar. Em vez de enfrentar essa realidade, opta-se por criminalizar quem se organiza para sobreviver e produzir alimentos.

Aqui é preciso falar diretamente com quem vive em Valinhos: quem ganha quando o debate vira perseguição ao MST, enquanto os problemas reais da cidade seguem sem solução?

Não é possível ignorar que ataques a movimentos sociais do campo costumam caminhar lado a lado com interesses de especulação imobiliária. Em Valinhos, áreas sensíveis como a Serra dos Cocais vêm sendo historicamente pressionadas por projetos que transformam terra e natureza em mercadoria, sobretudo na forma de condomínios.

Criminalizar quem luta pela terra e pela produção de alimentos também ajuda a silenciar debates incômodos sobre o destino desses territórios e sobre qual projeto de cidade está sendo imposto à população.

É aqui que a psicanálise do trabalho ajuda a compreender o que está em jogo para além do discurso político imediato. O psicanalista Christophe Dejours demonstra que o sofrimento social não é natural nem inevitável: ele é produzido quando o trabalho perde sentido, quando o reconhecimento é substituído pela humilhação e quando a ação coletiva passa a ser tratada como ameaça.

Segundo Dejours, o poder político e institucional pode produzir sofrimento de forma consciente, utilizando a desmoralização de grupos organizados como estratégia de controle social. Ao transformar trabalhadores em inimigos, não se produz ordem, mas submissão. Instala-se o medo, rompe-se a solidariedade e enfraquecem-se os laços que sustentam a vida democrática.

Quando um movimento social como o MST é criminalizado, não se ataca apenas uma organização. Ataca-se o sentido do trabalho coletivo, o direito de lutar por condições dignas de vida e a possibilidade de construção de reconhecimento social. Esse processo gera adoecimento coletivo, silenciamento político e conformismo forçado — marcas típicas de sociedades que normalizam a injustiça social.

A repressão, nesse contexto, não é apenas jurídica. Ela é simbólica. Ao deslegitimar a luta pela terra e pela Reforma Agrária, constrói-se uma narrativa que transforma direitos em ameaça e trabalhadores em problema. O resultado é uma sociedade mais fragmentada, mais adoecida e menos capaz de enfrentar suas desigualdades estruturais.

É preciso dizer com clareza: a Reforma Agrária não é uma pauta ultrapassada. Ela é estratégica para a soberania alimentar, para a geração de trabalho e renda, para a preservação ambiental e para a redução das desigualdades.

Os assentamentos do MST, em todo o Brasil, produzem alimentos, movimentam economias locais e constroem alternativas concretas ao modelo concentrador que gera fome e miséria.

Ao mesmo tempo, é necessário fazer uma crítica honesta ao governo federal. Apesar da mudança de orientação política com a eleição do presidente Lula, a Reforma Agrária ainda não foi enfrentada com a agilidade, a prioridade e a dimensão de um programa nacional robusto.

A lentidão na retomada efetiva da política de assentamentos abre espaço para ofensivas conservadoras e autoritárias nos territórios.

Quando o Estado demora, o conflito se intensifica. Quando a política pública falha, cresce a repressão. Não é coincidência que, diante da ausência de uma política nacional clara e firme de Reforma Agrária, prefeitos se sintam autorizados a atacar movimentos sociais como o MST.

Em Valinhos, tentar “acabar” com o MST não melhora a saúde, não tapa buracos, não amplia vagas em creches, não gera emprego, não melhora a educação e nem vai gerar mais segurança pública. Pelo contrário: a presença do MST na Serra dos Cocais é uma garantia de preservação ambiental e de defesa do território frente à especulação.

Atacar o MST serve apenas para alimentar uma agenda ideológica que precisa de inimigos para esconder sua incapacidade de enfrentar as desigualdades reais. A história é clara: criminalizar movimentos sociais nunca foi sinal de força política, mas de fragilidade democrática.

Defender o MST é defender a Reforma Agrária, o direito à organização, ao trabalho digno e à justiça social. É afirmar que Valinhos não pode escolher o caminho da ignorância, do apagamento social e da exclusão, mas sim o da democracia, da dignidade e da vida.

Sem Reforma Agrária, não há justiça social. Sem justiça social, não há democracia plena.

Claudiney Generoso, pai de três crianças, morador do bairro Vale Verde, assistente social, especialista em atendimento psicossocial às vítimas de violência pela UFSCar e mestre em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas pela UNICAMP.
TAGGED: Acampamento Marielle Vive, Claudiney Generoso, MST, Pé de Figo, Prefeito Franklin, Reforma Agrária, Valinhos

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Heriberto Pozzuto 9 de fevereiro de 2026 9 de fevereiro de 2026
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