A cidade de Valinhos perdeu, na noite desta sexta-feira (24), um de seus nomes mais marcantes. Morreu o ex-prefeito Luiz Bissoto, figura central na história política e estrutural do município, conhecido como o “prefeito do saneamento” — título que sintetiza uma trajetória diretamente ligada à construção das bases que sustentam a cidade até hoje.
Bissoto dedicou mais de quatro décadas à vida pública. Foi vereador por seis mandatos e prefeito em dois períodos (1970–1972 e 1977–1982), atravessando momentos decisivos para o crescimento urbano de Valinhos. Seu legado mais visível está sob o chão da cidade: foi durante sua gestão que o saneamento básico deixou de ser promessa e passou a ser política pública estruturada.
Visionário para sua época, esteve diretamente ligado à criação do DAEV, consolidando o serviço de água e esgoto como responsabilidade permanente do município. A expansão da rede de esgoto e o acesso à água tratada transformaram a realidade sanitária local, impactando diretamente a saúde pública e a qualidade de vida da população — um marco que ainda hoje sustenta indicadores positivos na cidade.
Mas o legado de Bissoto não se restringe à infraestrutura. Ele também esteve à frente da construção do Terminal Rodoviário e foi um dos responsáveis pela criação do Círculo de Amigos dos Patrulheiros de Valinhos, iniciativa voltada à formação de jovens e à geração de oportunidades. Na vida profissional, atuou como contabilista, mantendo por anos seu escritório no Centro.
Nos últimos anos, mesmo fora da vida pública institucional, Bissoto voltou ao debate ao se posicionar de forma firme contra a proposta de privatização do DAEV, em 2024. “O DAEV é um patrimônio de Valinhos e não pode ser vendido”, afirmou à época — uma declaração que ressoou em meio às discussões sobre o futuro do saneamento no município e reforçou sua visão de que serviços essenciais devem permanecer sob controle público.
A Prefeitura decretou luto oficial de três dias e destacou, em nota, o papel do ex-prefeito como um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de Valinhos. Mais do que uma homenagem formal, a morte de Luiz Bissoto reabre uma reflexão inevitável: qual o destino das estruturas que ele ajudou a construir?
Em tempos de disputas sobre modelos de gestão e prioridades públicas, sua trajetória deixa uma marca clara — a de que decisões tomadas décadas atrás seguem moldando o presente. E, talvez mais do que isso, lembram que cidade não se constrói apenas com obras visíveis, mas com escolhas que atravessam gerações.
Bissoto deixa os filhos Maria de Fátima, Maria Regina, Luiz Eduardo e Luiz Fernando (in memoriam).

