Associação de moradores defende soluções sustentáveis e alerta para riscos da impermeabilização
A Lagoa Cambará voltou ao centro do debate público em Valinhos. Na tribuna da Câmara Municipal, nesta terça-feira (28), o presidente da Associação dos Moradores do Country Club (AMCC), Térbio José Brandão Câmara, fez um apelo direto: é preciso olhar para a lagoa não como problema, mas como solução.
A fala marcou mais um capítulo da mobilização histórica dos moradores pela recuperação ambiental da lagoa e de todo o seu entorno. Segundo Brandão, o espaço tem papel estratégico na segurança hídrica da cidade — ou seja, na garantia de água para a população — além de ser fundamental no controle de enchentes na região.


Entre a drenagem e a recarga de água
Um dos pontos centrais da apresentação foi o desafio técnico que envolve o bairro. Atualmente, parte da região é composta por ruas de terra que, durante períodos de chuva, sofrem erosão, contribuindo para o assoreamento da lagoa e o acúmulo de sedimentos na rede de drenagem.
Ao mesmo tempo, essas mesmas vias de terra garantem algo essencial: alta permeabilidade do solo, permitindo a recarga do lençol freático, a chamada “caixa d’água natural”. Um equilíbrio delicado, que exige soluções mais sofisticadas do que simplesmente asfaltar.
O presidente da AMCC, endereçou todo o material para apreciação dos vereadores, e solicitou destes uma moção de apoio para a utilização de pavimentação permeável como ferramenta de recuperação da Lagoa Cambará – no que foi acolhido pelo presidente da Mesa, vereador Israel Scupenaro. Também comunicou que a gestão do prefeito Franklin Martins, através do secretário André Reis (Secretaria do Verde e da Agricultura), está em processo de adesão ao Programa Estadual Bairro Paulista – Cidades Sustentáveis, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SUDH), para postular a execução do projeto da Lagoa Cambará e parcerias para a realização das obras.
A lei aponta o caminho
Com base em legislação vigente, como Plano Diretor, Lei de Zoneamento, estudos do DAEV, Plano de Macrodrenagem da Bacia do Ribeirão Pinheiros e o Código Florestal, Brandão argumentou que a única pavimentação viável para a região é a permeável.
Segundo ele, esse tipo de solução já é aplicado em grandes obras urbanas e permite conciliar mobilidade com preservação ambiental.
Engenharia verde como resposta
Diante das mudanças climáticas, com chuvas cada vez mais intensas de um lado e secas prolongadas de outro, a proposta defendida é clara: adotar a chamada engenharia verde, baseada em soluções naturais.
Essas chamadas “Soluções Baseadas na Natureza” (SbN) propõem intervenções que respeitam a dinâmica ambiental do território, reduzindo alagamentos, melhorando a infiltração da água e preservando recursos naturais.
O próprio Plano de Macrodrenagem citado na apresentação reforça esse ponto: a impermeabilização da região, especialmente com asfalto, tende a agravar os alagamentos já recorrentes no bairro.

Um chamado à ação
A Lagoa Cambará não é apenas uma questão local. Trata-se de um espaço estratégico para toda a região, com reserva de água de boa qualidade e potencial para enfrentar períodos de escassez hídrica cada vez mais frequentes.
Ainda assim, segundo os moradores, essa importância só costuma ser percebida em momentos de crise.
A mobilização em torno da lagoa é também uma história de resistência comunitária. E agora, ganha novo fôlego com a tentativa de inserir o município em programas voltados à recuperação de áreas degradadas por meio de soluções sustentáveis, como o Programa Bairro Paulista – Cidades Sustentáveis.
O recado deixado na Câmara é direto: ignorar o papel da Lagoa Cambará hoje pode custar caro no futuro.
