🩰 Do morro ao topo do mundo: brasileiro Davi Ramos faz história no balé internacional
O palco da icônica Sydney Opera House foi cenário de um daqueles momentos que misturam surpresa, emoção e história sendo escrita ao vivo. Logo após interpretar Romeu em Romeu e Julieta, o brasileiro Davi Ramos, de 25 anos, foi chamado ao centro do palco e ali recebeu o anúncio que mudaria sua carreira: sua promoção a primeiro bailarino do The Australian Ballet.
O cargo está entre os mais prestigiados do balé mundial. E a conquista carrega um peso simbólico ainda maior: Davi se torna o primeiro brasileiro e o primeiro homem negro a alcançar essa posição na companhia australiana.
Nascido na Favela Santa Marta e criado no Vidigal, no Rio de Janeiro, Davi não seguiu o roteiro tradicional do balé clássico. Começou a dançar aos 12 anos — mais tarde do que a maioria dos profissionais — e, mesmo assim, construiu uma trajetória meteórica. Passou pela Royal Ballet School, em Londres, integrou o Dutch National Ballet e chegou ao The Australian Ballet em 2024 já como solista.
Dois anos depois, atinge o topo.
A promoção foi anunciada pelo diretor artístico da companhia, David Hallberg, diante de uma plateia que testemunhou não apenas o fim de um espetáculo, mas o início de um novo capítulo.
Fundado em 1962, o The Australian Ballet é reconhecido como uma das principais companhias do mundo, com repertório que combina clássicos e produções contemporâneas e presença constante nos grandes palcos internacionais. Ser primeiro bailarino nesse contexto não é apenas um título, é ocupar o centro da cena global do balé.
Para Davi, a conquista vai além da carreira individual. Representa também uma possibilidade. Um sinal de que caminhos considerados distantes podem, sim, ser percorridos. “Eu olho para aquele menino e penso: caraca, que sonho”, disse ao lembrar do início da trajetória.
Hoje vivendo na Austrália, onde mora há dois anos, ele já chama o país de casa. “Sydney me lembra muito o Rio de Janeiro, e Melbourne me lembra a Europa. Eu amo a Austrália”, afirma.
A nova fase deve ampliar sua presença nos palcos. Como primeiro bailarino, Davi assume ainda mais papéis principais e passa a integrar turnês internacionais como convidado. Entre os próximos compromissos estão apresentações em Hong Kong e Londres.
Mas talvez o mais importante já tenha acontecido: um menino que começou a dançar sem imaginar onde poderia chegar agora ocupa um dos lugares mais altos do balé mundial — e, com isso, amplia o horizonte de quem vem depois.