Em menos de 24 horas, Câmara e Conselho Municipal do Meio Ambiente aprovam, por unanimidade, medidas para proteger a área ameaçada pela expansão imobiliária. Agora a palavra está com o prefeito Franklin na esperança de que ele afirme: Loteamento da Fazenda Remonta, AQUI NÃO!
Valinhos viveu, nos últimos dias, um movimento histórico. Silencioso, é verdade. Sem manifestações nas ruas, sem buzinaços, sem que a rotina da cidade sofresse grandes alterações. Mas histórico.
Desde que foi anunciado que o Exército Brasileiro e a Fundação Habitacional do Exército pretendem leiloar, por R$ 90 milhões, a área conhecida como Fazenda Remonta — um território de mais de 1,6 milhão de metros quadrados dividido entre Valinhos e Campinas — sucedem-se manifestações de preocupação diante da ameaça que os interesses imobiliários representam para a preservação de um patrimônio natural fundamental à qualidade de vida da fauna, da flora e dos seres humanos que vivem nesta região.
Os veículos de imprensa têm acompanhado, dia após dia, os movimentos de reação. E eles não são poucos.
Na noite desta terça-feira (16), enquanto as atenções de parte da população estavam voltadas para os jogos da Copa do Mundo, a Câmara Municipal aprovou por unanimidade o projeto de lei que declara a Fazenda Remonta patrimônio histórico, cultural, paisagístico e ambiental do município.
Menos de doze horas depois, na manhã desta quarta-feira (17), foi a vez do Conselho Municipal do Meio Ambiente (CMMA) se posicionar. Também por unanimidade, seus 20 integrantes — representantes da sociedade civil e do governo municipal — aprovaram uma Moção de Apelo ao Poder Executivo para que sejam adotadas medidas visando assegurar a proteção ambiental da Fazenda Remonta.
O documento pede que a Prefeitura promova interlocução e articulação junto aos órgãos ambientais, patrimoniais e de controle, especialmente nas esferas estadual e federal, para avaliar as medidas legais e administrativas necessárias à preservação da área e impedir sua urbanização ou parcelamento para fins imobiliários.
O CMMA informou ainda que foi encaminhado pelo vereador de Campinas, Wagner Romão, ofício aos Ministérios da Defesa, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, das Cidades e à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, alertando sobre a ameaça ambiental iminente. E obteve a confirmação de que todos os órgãos receberam a documentação.
Não é pouca coisa.
Em poucos dias, vereadores, conselheiros ambientais, entidades e parte significativa da sociedade civil convergiram para uma mesma direção: a defesa da Fazenda Remonta.
Curiosamente, há um personagem central nessa história que permanece em silêncio.
O prefeito municipal.
É para suas mãos que seguirá a lei aprovada pela Câmara, que declara o tombamento da área. Sua sanção é urgente para que a lei passe a vigorar. Afinal, o leilão está marcado para o próximo dia 1º de julho.


